In Memorian (2017)

Este post é uma homenagem aos jogadores do Fluminense que nos deixaram ao longo de 2017.

Gílson Gênio
Gílson Wilson Francisco
20/06/1957 – 28/05/2017 (59 anos)

Gilson

Gílson foi uma das maiores promessas de uma época áurea das divisões de base do clube. Conquistou os títulos de Campeão Carioca Infanto Juvenil em 1974 e 1975, Campeão Carioca Juvenil em 1975 e 1976, da Taça Cidade de Belo Horizonte em 1976, da Taça São Paulo e do Torneio de Nice, na França, em 1977.

Para se ter uma ideia do poderio do time juvenil comandando pelo técnico Pinheiro, entre as temporadas de 1976 e 77 o Fluminense atingiu uma marca de 71 vitórias e 4 derrotas em 93 jogos. Desse time saíram jogadores como Gílson Gênio e seu irmão Gilcimar, Zezé, Arturzinho, Edevaldo, Mário, Robertinho, Tadeu e Deley.

Jogador versátil, o baixinho Gílson atuava na ponta, no comando do ataque e na meia. Estreou no profissional em 1976, aos 18 anos. Na máquina tricolor de Rivellino, Paulo César e companhia, Gílson era um garoto promissor que as vezes entrava no decorrer dos jogos. Disputou sete partidas na campanha do título de 1976. A mais célebre delas, uma vitória por 3×0 sobre o Vasco pelo terceiro turno da competição. Naquele dia o Fluminense com muitos desfalques teve que recorrer à garotada, que deu um verdadeiro baile no time de São Januário.

Seguiu atuando pelo time juvenil e eventualmente entre os profissionais, até que no Campeonato Brasileiro de 1977 conseguiu se firmar. Foi titular em boa parte dos jogos, atuando como centroavante com Cafuringa e Zezé nas pontas. Na curta campanha do Fluminense na competição foi vice-artilheiro do time com 4 gols. Dois a menos que o lateral Marinho Chagas, cobrador de pênaltis e faltas.

Em 1978 jogou ao lado de Pelé no amistoso em que o “Rei” vestiu a camisa do Fluminense, contra o Racca Rovers da Nigéria. Meses depois, com a contratação da badalada dupla Nunes e Fumanchu, perdeu espaço e passou a jogar pouco. Em 1979 foi negociado com o Bahia, encerrando sua passagem como jogador do Fluminense.

Foi ainda técnico das divisões de base do clube por muitos anos e chegou a dirigir interinamente os profissionais em duas ocasiões, a primeira em 2003 e a última em 2009.

 

Cacá
Carlos de Castro Borges
31/08/1932 – 07/06/2017 (84 anos)

Última Hora, Missão 1515-56

O ótimo lateral direito Cacá veio do América para o Fluminense em 1955. Nas Laranjeiras conquistou os títulos do Torneio Início de 1956 e do Rio-São Paulo de 1957. Este último um título muito especial por ter sido o primeiro de um time do Rio de Janeiro na competição. É até hoje também a única conquista invicta da história do certame.

Suas boas atuações pelo Fluminense o levaram a ser convocado em 1958 para a fase de preparação para a Copa do Mundo da Suécia. Logo após a convocação transferiu-se para o Botafogo. Durante os treinamentos desentendeu-se com o técnico Vicente Feola e chegou a pedir dispensa da seleção, inconformado por estar sendo escalado fora de posição. A situação foi contornada mas acabou cortado da lista final de 22 jogadores que foram ao mundial.

 

Duque
David Ferreira
17/05/1926 – 16/07/2017 (91 anos)

Duque foi um treinador de relevância para o futebol brasileiro nas décadas de 1960 e 70. Quando chegou ao Fluminense, em 1973, vinha credenciado por seis títulos pernambucanos dirigindo o Náutico e o Santa Cruz, e por uma boa passagem pelo Corinthians no ano anterior. O Fluminense estava mal. Tinha ficado em sexto lugar na Taça Guanabara, o primeiro turno do campeonato. Duque então resolveu reformular o time. No lugar dos veteranos Denílson e Gérson lançou os “garotos” Pintinho e Kléber. Passou a usar mais efetivamente também os jovens Rubens Galaxe e Marquinhos. Com sangue novo o time deu liga. Mudou da água para o vinho. Conquistou o segundo e o terceiro turno do campeonato e atropelou o Flamengo na decisão com uma vitória por 4×2 que entrou para a história do clube. Duque era também o técnico do Corinthians na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1976, de triste lembrança para os tricolores.

Como jogador Duque também teve uma passagem pelas Laranjeiras. Atuava como zagueiro e chegou ao clube em 1952, vindo do Cruzeiro. Durante o período em que esteve no Fluminense quase sempre foi um bom reserva para o lendário Pinheiro. Conquistou os campeonatos de aspirantes de 1953 e 54. Pelo time principal totalizou 70 partidas com a camisa tricolor até ir para o Canto do Rio, em 1956.

Em 2013 foi homenageado pelo Fluminense na festa comemorativa dos 40 anos da conquista do título de 73.

duque

Duque (à esquerda), Emílson Pessanha (ex-jogador e supervisor do Fluminense, ao centro) e o autor deste blog (à direita) na homenagem aos campeões de 1973 realizada em 2013

 

Chiquinho
Francisco Assis da Silva Júnior
06/03/1952 – 24/08/2017 (65 anos)

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O ponta de lança Chiquinho jogou pelo Fluminense no primeiro semestre de 1979 vindo por empréstimo do Botafogo de Salvador. No futebol baiano havia sido vice-campeão estadual e vice-artilheiro do campeonato de 78 atuando pelo modesto Leônico, fato que chamou a atenção dos dirigentes tricolores.

Sua estreia pelo Fluminense foi das mais promissoras. O time jogava contra o Goytacaz no Maracanã, abrindo o Campeonato Carioca Especial, e não conseguia dobrar a retranca do adversário. Chiquinho entrou no segundo tempo e o time deslanchou, saindo de um modorrento empate sem gols para um contundente 4×0. O estreante fez um dos gols, o mais bonito da tarde acertando uma bomba de fora da área, e mudou completamente a cara do time. Sua atuação foi elogiadíssima por toda a imprensa esportiva.

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Atuação de Chiquinho em sua estreia segundo o Jornal dos Sports

Apesar do sucesso na estreia não conseguiu manter uma regularidade e consequentemente não ficou no Fluminense ao final do empréstimo. Fez 16 jogos e marcou 5 gols pelo clube.

 

Alberto
Alberto Pacheco Frazão Pereira
08/10/1935 – 13/09/2017 (81 anos)

alberto

O Fluminense não pôde contar com Castilho no primeiro semestre de 1957. Na ocasião o maior goleiro da história do clube disputou o Campeonato Sul-Americano e as Eliminatórias pela Seleção Brasileira. Quando voltou estava com uma fratura no dedo mínimo. Uma lesão repetida que dessa vez o levaria à decisão extrema de amputar um pedaço do dedo. Nesse ínterim o goleiro Alberto, campeão juvenil em 1955, teve a chance de atuar no time profissional. Participou de diversos amistosos e foi o goleiro titular na estreia do Torneio Rio-São Paulo, contra o América. Alberto ajudou a garantir a vitória magra por 1×0 e os primeiros pontos da campanha que levaria o Fluminense ao título inédito. Para a sequência da competição no entanto o Fluminense preferiu apostar em um goleiro mais experiente e trouxe o paraguaio Victor González, do Vasco. Alberto fez um total de 18 partidas nos profissionais do Fluminense.

 

Índio
Aloysio Soares Braga
22/05/1920 – 05/10/2017 (97 anos)

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Quando faleceu aos 97 anos de idade Índio era o mais antigo jogador do Fluminense ainda vivo. Foi um dos heróis do título do Torneio Municipal de 1948 em cima do “Expresso da Vitória” vascaíno. Leia mais sobre Índio e o título do Municipal neste post.

 

Vânder
Vânder Aparecido Ferreira
26/12/1956 – 11/10/2017 (60 anos)

vander

O meia Vânder veio por empréstimo do Botafogo de Ribeirão Preto para a disputa do segundo turno do Campeonato Carioca de 1983. Disputou boa parte da Taça Rio suprindo seguidas ausências de Deley e Assis. O momento de maior destaque de sua passagem pelo Fluminense foi em um jogo contra o Volta Redonda, em São Januário, no qual marcou o gol da vitória (ver vídeo abaixo). No entanto o Fluminense que já tinha vaga assegurada na decisão do campeonato por ter conquistado a Taça Guanabara fez uma campanha fraca no returno. Vânder não foi utilizado nos jogos do triangular decisivo no qual o Fluminense conquistou o título estadual e no ano seguinte voltou ao seu clube de origem. Fez 9 jogos pelo Tricolor e marcou um gol.

 

Hércules
Hércules Corrêa Torres
23/03/1940 – 23/12/2017 (77 anos)

Hercules

Zagueiro formado no clube, atuou nas equipes infanto juvenil, juvenil e aspirante. Em 1959 disputou os Jogos Pan-Americanos de Chicago, nos quais o Brasil conquistou a medalha de prata. No entanto teve poucas chances no profissional do Fluminense. Participou apenas de seis jogos entre 1959 e 60. Em 1961 foi para o Madureira.

 

A linda foto de Gílson Gênio que ilustra o post é de Marcelo Tabach e foi originalmente publicada no site Museu da Pelada.

 

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