O Bastão de Revezamento e os bastões miniatura do Campeonato Carioca

Uma curiosa premiação outorgada aos clubes campeões cariocas de 1937 a 1973 foi o Bastão de Revezamento. Por iniciativa do Fluminense a premiação foi instituída em 1948. Um belíssimo bastão de prata de posse transitória que passaria das mãos do clube campeão para o campeão seguinte, ano após ano.

A posse definitiva do bastão ficaria com o clube que conquistasse cinco títulos consecutivos ou dez alternados, contando-se a partir de 1937. O motivo da escolha dessa data inicial foi tratar-se do ano de fundação da Federação Metropolitana de Football, ano da pacificação e do fim da cisão no futebol carioca.

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O Bastão de Revezamento, premiação concedida aos campeões cariocas de 1937 a 1973

Os nomes dos campeões de 1937 a 1947 foram gravados no bastão, que foi entregue ao Vasco da Gama, então o atual campeão, no dia 23 de Junho de 1948. A partir daí o bastão foi sendo transmitido ano a ano para o novo campeão, geralmente em cerimônia realizada na primeira partida entre os dois clubes no campeonato subsequente.

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Abertura do Campeonato Carioca de 1961: Fluminense (campeão de 59) x América (campeão de 60). Antes da partida o presidente tricolor Jorge Frias de Paula passa o Bastão de Revezamento para o presidente americano Waldir Motta. Foto: O Globo.

Quando o bastão foi instituído em 1948, sua regulamentação previa ainda que a Federação concedesse uma premiação anual definitiva ao campeão: uma miniatura do bastão. Essa ideia no entanto só foi posta em prática em 1961, ocasião em que a entidade, de uma tacada só, concedeu sete bastões em miniatura ao Fluminense (referentes aos títulos de 1937, 38, 40, 41, 46, 51 e 59), sete ao Flamengo (1939, 42, 43, 44, 53, 54 e 55), sete ao Vasco (1945, 47, 49, 50, 52, 56 e 58), dois ao Botafogo (1948 e 57) e um ao América (1960).

O Fluminense conquistou o direito à posse definitiva do bastão de revezamento em 1971, ano em que alcançou seu décimo título a partir de 1937, porém o regulamento da premiação se extraviou na Federação. Em 1972 e 73 o bastão continuou a ser passado de campeão para campeão, o nome do campeão continuou a ser gravado e os bastões miniatura continuaram sendo concedidos. Apenas em 1974 o Fluminense conseguiu comprovar seu direito à posse definitiva.

Uma curiosidade: o bastão miniatura referente ao título de 1964 nunca foi entregue ao Fluminense. É possível que existam lacunas semelhantes nas premiações aos demais clubes, por falha da Federação.

O Bastão de Revezamento, um prêmio de grande relevância que representa uma era extraordinária do futebol carioca, abrangendo as décadas de 1930 a 1970, está atualmente exposto na Sala de Troféus do Fluminense, assim como os 10 bastões em miniatura que o clube possui, referentes aos seus títulos de 1937 a 1973, exceto 1964.

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O Bastão de Revezamento e os 10 bastões miniatura conquistados pelo Fluminense (1937, 38, 40, 41, 46, 51, 59, 69, 71 e 73). A lacuna é referente ao bastão entregue ao Fluminense pelo campeonato de 1940, que estava em processo de restauração. O Fluminense não recebeu da Federação a miniatura do bastão por 1964

A Federação só passou a entregar regularmente um troféu ao campeão de cada ano na segunda metade da década de 1950. Antes disso, tirando alguns casos isolados, a premiação era feita com troféus de posse transitória. Além do Bastão de Revezamento existiram a Taça Colombo, a Taça Municipal e a Taça AMEA.

A Taça Colombo, o troféu de 1906 a 1919

O primeiro troféu do campeonato carioca foi a Taça Colombo. Ela foi entregue a todos os campeões de 1906 a 1919. Sua posse era provisória e ela ficaria em definitivo com o clube que conquistasse o campeonato três vezes seguidas, feito obtido pelo Fluminense em 1917, 18 e 19. Ela possui esse nome pois foi ofertada em 1906 pela Casa Colombo, importante loja de artigos masculinos da época.

Vale ressaltar que o Fluminense não ficou com a taça em definitivo já em 1908 porque o título de 1907 só foi reconhecido oficialmente décadas depois.

A Taça Municipal, o troféu de 1908 a 1924

Em 1908, a Taça Municipal foi instituída pelo Prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Sousa Aguiar. Sua posse era transitória, da mesma forma que a Taça Colombo, mas não havia uma condição para que um clube ficasse em definitivo com ela. A Taça Municipal foi entregue a todos os campeões da Liga Metropolitana de Sports Athléticos (LMSA), de 1908 a 1916, e da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT), de 1917 a 1924.

De 1908 a 1919, os campeões do Rio receberam portanto a Taça Colombo e a Taça Municipal pela conquista do campeonato. Como a Taça Colombo ficou com o Fluminense em 1919, tudo indica que a Taça Municipal foi o único troféu oficial entregue pela LMDT aos campeões de 1920 (Flamengo), 1921 (Flamengo), 1922 (America), 1923 (Vasco) e 1924 (Vasco).

Em 1924, o Rio teve dois campeonatos. O Vasco, campeão pela LMDT, recebeu a Taça Municipal. O Fluminense, campeão do primeiro campeonato organizado pela Associação Metropolitana de Esportes Athléticos (AMEA), recebeu a Taça AMEA.

Mesmo com o campeonato da AMEA sendo o principal da cidade, a LMDT seguiu organizando seus campeonatos e entregando aos seus campeões a Taça Municipal. Em 1925, o campeão foi o Engenho de Dentro. Em 1932, o S.C. Boa Vista foi seu último campeão. O paradeiro atual da taça é desconhecido.

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O time do Fluminense, campeão carioca de 1908, com as taças Colombo e Municipal. Novamente campeão em 1909, o Fluminense passaria os dois troféus em 1910 ao Botafogo, quando a equipe alvinegra conquistou o campeonato

 

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No detalhe a Taça Colombo, à esquerda, e a Taça Municipal, à direita.

A Taça AMEA, o troféu de 1924 a 1934

A partir de 1924, a AMEA passou a entregar a Taça AMEA, que da mesma forma que a Taça Colombo, seria de posse transitória até que um clube conquistasse um tricampeonato. O Fluminense deteve a taça apenas na conquista do título de 1924 e sua posse definitiva ficou com o Botafogo pelos títulos de 1932, 33 e 34.

Este post foi escrito em parceria com os historiadores Jorge Priori e Auriel de Almeida. Uma versão com mais informações sobre as premiações oficiais do Campeonato Carioca está disponível no blog Historiadores dos Esportes.

Histórico contra os adversários na Florida Cup

O Fluminense jogou poucas vezes contra PSV Eindhoven e Barcelona de Guaiaquil, seus adversários na Florida Cup, torneio que abre a temporada de 2018. E pelo menos até aqui pode afirmar que nunca perdeu.

Contra o PSV houve apenas um confronto. Foi pelo Torneio de Amsterdam de 1991, competição que reuniu ainda Ajax e Sampdoria. Na primeira rodada do torneio o Fluminense foi facilmente derrotado pelo Ajax por 3×0. No jogo seguinte, seu último compromisso na competição, o Tricolor enfrentou justamente o PSV onde se destacavam Romário e o zagueiro Ronald Koeman.

Os melhores momentos dessa partida estão no vídeo abaixo:

Curiosidades do vídeo:

1) Um raro gol de falta de Ézio. Talvez seu único pelo Fluminense.

2) O primeiro gol de Romário contra o Fluminense. Quatro anos depois, na decisão do Campeonato Carioca de 1995, ele faria o primeiro em uma competição oficial.

3) A torcida local aparentemente torce pelo Fluminense. Talvez pela rivalidade entre Ajax e PSV, talvez pelo fato de que um tropeço do PSV garantiria o título do Ajax.

Com a vitória nos pênaltis o Fluminense ficou em terceiro lugar no torneio. O Ajax foi o campeão.

Contra o Barcelona de Guaiaquil o Fluminense jogou três vezes e venceu as três com facilidade. Foram três amistosos, todos eles jogados na casa do adversário:

22/04/1950 – Fluminense 6 x 4 Barcelona
Estádio George Capwell (Guaiaquil)
Gols: Didi (3), Carlyle, Waldir, Tite

22/04/1956 – Fluminense 5 x 1 Barcelona
Estádio George Capwell (Guaiaquil)
Gols: Alecyr (2), Clóvis, Waldo, Jair Francisco

07/07/1985 – Fluminense 3 x 0 Barcelona – Modelo (Guaiaquil)
Estádio Modelo Alberto Spencer (Guaiaquil)
Gols: Assis (2), Washington

In Memorian (2017)

Este post é uma homenagem aos jogadores do Fluminense que nos deixaram ao longo de 2017.

Gílson Gênio
Gílson Wilson Francisco
20/06/1957 – 28/05/2017 (59 anos)

Gilson

Gílson foi uma das maiores promessas de uma época áurea das divisões de base do clube. Conquistou os títulos de Campeão Carioca Infanto Juvenil em 1974 e 1975, Campeão Carioca Juvenil em 1975 e 1976, da Taça Cidade de Belo Horizonte em 1976, da Taça São Paulo e do Torneio de Nice, na França, em 1977.

Para se ter uma ideia do poderio do time juvenil comandando pelo técnico Pinheiro, entre as temporadas de 1976 e 77 o Fluminense atingiu uma marca de 71 vitórias e 4 derrotas em 93 jogos. Desse time saíram jogadores como Gílson Gênio e seu irmão Gilcimar, Zezé, Arturzinho, Edevaldo, Mário, Robertinho, Tadeu e Deley.

Jogador versátil, o baixinho Gílson atuava na ponta, no comando do ataque e na meia. Estreou no profissional em 1976, aos 18 anos. Na máquina tricolor de Rivellino, Paulo César e companhia, Gílson era um garoto promissor que as vezes entrava no decorrer dos jogos. Disputou sete partidas na campanha do título de 1976. A mais célebre delas, uma vitória por 3×0 sobre o Vasco pelo terceiro turno da competição. Naquele dia o Fluminense com muitos desfalques teve que recorrer à garotada, que deu um verdadeiro baile no time de São Januário.

Seguiu atuando pelo time juvenil e eventualmente entre os profissionais, até que no Campeonato Brasileiro de 1977 conseguiu se firmar. Foi titular em boa parte dos jogos, atuando como centroavante com Cafuringa e Zezé nas pontas. Na curta campanha do Fluminense na competição foi vice-artilheiro do time com 4 gols. Dois a menos que o lateral Marinho Chagas, cobrador de pênaltis e faltas.

Em 1978 jogou ao lado de Pelé no amistoso em que o “Rei” vestiu a camisa do Fluminense, contra o Racca Rovers da Nigéria. Meses depois, com a contratação da badalada dupla Nunes e Fumanchu, perdeu espaço e passou a jogar pouco. Em 1979 foi negociado com o Bahia, encerrando sua passagem como jogador do Fluminense.

Foi ainda técnico das divisões de base do clube por muitos anos e chegou a dirigir interinamente os profissionais em duas ocasiões, a primeira em 2003 e a última em 2009.

 

Cacá
Carlos de Castro Borges
31/08/1932 – 07/06/2017 (84 anos)

Última Hora, Missão 1515-56

O ótimo lateral direito Cacá veio do América para o Fluminense em 1955. Nas Laranjeiras conquistou os títulos do Torneio Início de 1956 e do Rio-São Paulo de 1957. Este último um título muito especial por ter sido o primeiro de um time do Rio de Janeiro na competição. É até hoje também a única conquista invicta da história do certame.

Suas boas atuações pelo Fluminense o levaram a ser convocado em 1958 para a fase de preparação para a Copa do Mundo da Suécia. Logo após a convocação transferiu-se para o Botafogo. Durante os treinamentos desentendeu-se com o técnico Vicente Feola e chegou a pedir dispensa da seleção, inconformado por estar sendo escalado fora de posição. A situação foi contornada mas acabou cortado da lista final de 22 jogadores que foram ao mundial.

 

Duque
David Ferreira
17/05/1926 – 16/07/2017 (91 anos)

Duque foi um treinador de relevância para o futebol brasileiro nas décadas de 1960 e 70. Quando chegou ao Fluminense, em 1973, vinha credenciado por seis títulos pernambucanos dirigindo o Náutico e o Santa Cruz, e por uma boa passagem pelo Corinthians no ano anterior. O Fluminense estava mal. Tinha ficado em sexto lugar na Taça Guanabara, o primeiro turno do campeonato. Duque então resolveu reformular o time. No lugar dos veteranos Denílson e Gérson lançou os “garotos” Pintinho e Kléber. Passou a usar mais efetivamente também os jovens Rubens Galaxe e Marquinhos. Com sangue novo o time deu liga. Mudou da água para o vinho. Conquistou o segundo e o terceiro turno do campeonato e atropelou o Flamengo na decisão com uma vitória por 4×2 que entrou para a história do clube. Duque era também o técnico do Corinthians na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1976, de triste lembrança para os tricolores.

Como jogador Duque também teve uma passagem pelas Laranjeiras. Atuava como zagueiro e chegou ao clube em 1952, vindo do Cruzeiro. Durante o período em que esteve no Fluminense quase sempre foi um bom reserva para o lendário Pinheiro. Conquistou os campeonatos de aspirantes de 1953 e 54. Pelo time principal totalizou 70 partidas com a camisa tricolor até ir para o Canto do Rio, em 1956.

Em 2013 foi homenageado pelo Fluminense na festa comemorativa dos 40 anos da conquista do título de 73.

duque

Duque (à esquerda), Emílson Pessanha (ex-jogador e supervisor do Fluminense, ao centro) e o autor deste blog (à direita) na homenagem aos campeões de 1973 realizada em 2013

 

Chiquinho
Francisco Assis da Silva Júnior
06/03/1952 – 24/08/2017 (65 anos)

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O ponta de lança Chiquinho jogou pelo Fluminense no primeiro semestre de 1979 vindo por empréstimo do Botafogo de Salvador. No futebol baiano havia sido vice-campeão estadual e vice-artilheiro do campeonato de 78 atuando pelo modesto Leônico, fato que chamou a atenção dos dirigentes tricolores.

Sua estreia pelo Fluminense foi das mais promissoras. O time jogava contra o Goytacaz no Maracanã, abrindo o Campeonato Carioca Especial, e não conseguia dobrar a retranca do adversário. Chiquinho entrou no segundo tempo e o time deslanchou, saindo de um modorrento empate sem gols para um contundente 4×0. O estreante fez um dos gols, o mais bonito da tarde acertando uma bomba de fora da área, e mudou completamente a cara do time. Sua atuação foi elogiadíssima por toda a imprensa esportiva.

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Atuação de Chiquinho em sua estreia segundo o Jornal dos Sports

Apesar do sucesso na estreia não conseguiu manter uma regularidade e consequentemente não ficou no Fluminense ao final do empréstimo. Fez 16 jogos e marcou 5 gols pelo clube.

 

Alberto
Alberto Pacheco Frazão Pereira
08/10/1935 – 13/09/2017 (81 anos)

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O Fluminense não pôde contar com Castilho no primeiro semestre de 1957. Na ocasião o maior goleiro da história do clube disputou o Campeonato Sul-Americano e as Eliminatórias pela Seleção Brasileira. Quando voltou estava com uma fratura no dedo mínimo. Uma lesão repetida que dessa vez o levaria à decisão extrema de amputar um pedaço do dedo. Nesse ínterim o goleiro Alberto, campeão juvenil em 1955, teve a chance de atuar no time profissional. Participou de diversos amistosos e foi o goleiro titular na estreia do Torneio Rio-São Paulo, contra o América. Alberto ajudou a garantir a vitória magra por 1×0 e os primeiros pontos da campanha que levaria o Fluminense ao título inédito. Para a sequência da competição no entanto o Fluminense preferiu apostar em um goleiro mais experiente e trouxe o paraguaio Victor González, do Vasco. Alberto fez um total de 18 partidas nos profissionais do Fluminense.

 

Índio
Aloysio Soares Braga
22/05/1920 – 05/10/2017 (97 anos)

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Quando faleceu aos 97 anos de idade Índio era o mais antigo jogador do Fluminense ainda vivo. Foi um dos heróis do título do Torneio Municipal de 1948 em cima do “Expresso da Vitória” vascaíno. Leia mais sobre Índio e o título do Municipal neste post.

 

Vânder
Vânder Aparecido Ferreira
26/12/1956 – 11/10/2017 (60 anos)

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O meia Vânder veio por empréstimo do Botafogo de Ribeirão Preto para a disputa do segundo turno do Campeonato Carioca de 1983. Disputou boa parte da Taça Rio suprindo seguidas ausências de Deley e Assis. O momento de maior destaque de sua passagem pelo Fluminense foi em um jogo contra o Volta Redonda, em São Januário, no qual marcou o gol da vitória (ver vídeo abaixo). No entanto o Fluminense que já tinha vaga assegurada na decisão do campeonato por ter conquistado a Taça Guanabara fez uma campanha fraca no returno. Vânder não foi utilizado nos jogos do triangular decisivo no qual o Fluminense conquistou o título estadual e no ano seguinte voltou ao seu clube de origem. Fez 9 jogos pelo Tricolor e marcou um gol.

 

Hércules
Hércules Corrêa Torres
23/03/1940 – 23/12/2017 (77 anos)

Hercules

Zagueiro formado no clube, atuou nas equipes infanto juvenil, juvenil e aspirante. Em 1959 disputou os Jogos Pan-Americanos de Chicago, nos quais o Brasil conquistou a medalha de prata. No entanto teve poucas chances no profissional do Fluminense. Participou apenas de seis jogos entre 1959 e 60. Em 1961 foi para o Madureira.

 

A linda foto de Gílson Gênio que ilustra o post é de Marcelo Tabach e foi originalmente publicada no site Museu da Pelada.

 

As Laranjeiras Imortais

Quantos clubes no Brasil tem um campo de futebol no mesmo local há 113 anos? É bem possível que apenas um: o Fluminense. Considera-se a inauguração do Estádio das Laranjeiras, atualmente Estádio Manoel Schwartz, como tendo ocorrido em 1919, quando foram construídas arquibancadas ao redor de todo o gramado, mas o campo do Fluminense sempre foi naquele local. Desde o primeiro jogo “em casa”, em 1904. Trata-se de um estádio com inestimável valor histórico, onde o futebol brasileiro deu seus primeiros passos e onde a Seleção Brasileira fez sua primeira partida.

CRONOLOGIA DO ESTÁDIO:

Ainda em 1902, ano da fundação do clube, o Fluminense alugou ao Banco da República o terreno para construir seu campo de futebol. O terreno ficava na Rua Guanabara, que viraria Rua Pinheiro Machado em 1915. Em razão disso, por muitos anos o campo do Fluminense ficou popularmente conhecido como campo da Rua Guanabara.

Em 1903 foi realizado o nivelamento do terreno. Para cortar a grama o clube importou da Inglaterra máquinas de tração animal. As máquinas eram puxadas pelo célebre burro Faísca, que usava luvas nas patas para não danificar o gramado.

Em 14 de Agosto de 1904 o campo foi finalmente inaugurado. 996 pessoas pagaram ingresso para ver o jogo entre Fluminense e Paulistano. Os paulistas levaram a melhor, vencendo por 3×0.

Em 1905 foi construída a primeira arquibancada, na lateral do campo onde hoje se encontra a social. Além disso, a humilde casinha que ficava atrás de um dos gols e servia como sede do clube foi demolida e em seu lugar foi construída uma mais ampla.

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Primeira arquibancada do Fluminense, construída em 1905

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Detalhe da belíssima arquibancada de 1905. As iniciais FFC aparecem entrelaçadas de uma forma diferente do escudo

Sede1905

A sede erguida em 1905, atrás do gol oposto à Rua Pinheiro Machado

Entre 1905 e 1915 nossa casa era assim: em uma das laterais do campo havia uma pequena arquibancada que sequer ocupava toda a sua extensão. No restante do gramado havia apenas uma cerca, atrás da qual o público assistia aos jogos de pé. Ainda assim era o principal campo da Capital Federal. E não por acaso, foi aí que a Seleção Brasileira fez seu primeiro jogo. No dia 21 de Julho de 1914, aniversário do clube, a Seleção enfrentou os profissionais do Exeter City, da Inglaterra. Oswaldo Gomes do Fluminense abriu o marcador para os brasileiros, eternizando-se como o primeiro goleador da Seleção, e Osman, do América, deu números finais ao placar: 2×0.

Brasil x Exeter 1914

Brasil 2 x 0 Exeter, em 1914. Na lateral próxima ao Palácio Guanabara e atrás do gol da Rua Pinheiro Machado há apenas uma cerca

campo

Campo do Fluminense entre 1905 e 1915. À esquerda é possível ver a sombra da primeira arquibancada. O restante do gramado é apenas cercado

O interesse pelo futebol era cada vez maior e em 1915 o Fluminense ampliou suas dependências. A arquibancada lateral foi ampliada em 24 metros, tomando quase toda a extensão do campo, e gerais de madeira foram construídas na lateral oposta e atrás dos gols. O campo passou a ter a capacidade de 5.000 espectadores. A casa/sede atrás do gol foi novamente substituída por uma mais moderna.

Arquibancada1915

Arquibancada com as ampliações laterais feitas em 1915

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A bonita sede construída em 1915, atrás do gol

Em 1917 o Brasil foi escolhido pela Confederação Sul-Americana de Futebol como sede do terceiro Campeonato Sul-Americano de Seleções (atual Copa América) que seria disputado no ano seguinte. Sem ter a estrutura necessária nem capacidade para erguê-la, a CBD pede ajuda ao Fluminense. Tendo a frente a extraordinária figura de seu presidente Arnaldo Guinle o Fluminense aceita o desafio e em 1918 inicia a construção do estádio.

O Campeonato Sul-Americano de 1918 acabou sendo adiado para 1919 devido à pandemia de gripe espanhola que assolou o mundo naquele ano matando milhões de pessoas. Em meio a tudo isso o Fluminense tinha um campeonato para jogar. Campeão em 1917 e lutando portanto pelo bicampeonato o Tricolor ficou sem seu campo logo nas primeiras rodadas, devido as obras de construção do estádio. Sem casa, jogando nos campos do Botafogo e do Flamengo, o Fluminense se deu ao luxo de conquistar o título com uma rodada de antecedência. Com medo da gripe, abriu mão do último jogo, perdendo por WO para o modesto Carioca, fato raríssimo na história do clube que só se repetiria em 1986.

Em 1919 a aventura de construir o primeiro estádio do país com arquibancadas ao redor de todo o campo estava completa. Sem um único centavo de financiamento público, levantando fundos apenas através de empréstimos bancários contraídos por Arnaldo Guinle e de um livro de ouro que correu entre os sócios. Curiosamente a belíssima arquibancada usada entre 1905 e 1917 foi desmontada e vendida ao Sport Recife, sendo usada por aquele clube por mais alguns anos.

A inauguração do estádio das Laranjeiras aconteceu no dia 11 de Maio de 1919. Abrindo o Campeonato Sul-Americano a Seleção Brasileira goleou a chilena por 6×0. Todos os jogos da competição foram nas Laranjeiras. Um estrondoso sucesso, levando o futebol a um nível de popularidade inimaginável até então. Com três atletas do Fluminense, Marcos, Fortes e Laís, o Brasil conquistou a América pela primeira vez.

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Visão do estádio construído em 1919, considerado o primeiro do país, e que existiu apenas até 1922

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Arquibancada de 1919

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Detalhe da arquibancada de 1919. Atrás dos gols havia uma pequena cobertura

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18/5/1919 – Brasil 3 x 1 Argentina (Campeonato Sul-Americano)

Ainda em 1919, mais precisamente no dia 21 de Dezembro, o Fluminense levantaria o tricampeonato vencendo o Flamengo nas Laranjeiras por 4×0. Um jogo histórico que atraiu uma multidão impressionante para os padrões da época ao estádio do Flu.

Em 18 de Novembro de 1920 foi inaugurada a majestosa sede social do clube, colada nas arquibancadas sociais.

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Sede social inaugurada em 1920

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Visão panorâmica do estádio de 1919 já com a sede inaugurada em 1920

Para o ano de 1922 estavam previstos dois novos eventos esportivos de grande importância. Para celebrar o centenário da Independência do Brasil seriam realizados os Jogos Olímpicos Latino-Americanos. Além disso o país sediaria uma nova edição do Campeonato Sul-Americano de Futebol. O governo brasileiro e a CBD mais uma vez tiveram que recorrer ao Fluminense, a maior organização desportiva do país. O estádio construído em 1919 seria pequeno para as competições que estavam por vir e seria necessário ampliá-lo.

A arquibancada construída apenas três anos antes foi então demolida. Somente a social foi mantida e ampliada para as laterais, passando a ocupar toda a extensão do campo. Uma nova arquibancada, de dois andares, foi erguida no lugar da antiga, fechando o anel em torno do campo.

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Visão panorâmica do estádio de 1922

Os eventos esportivos foram mais uma vez realizados com grande sucesso. Por coincidência a inauguração do novo estádio ocorreu novamente em um confronto entre Brasil e Chile abrindo o Sul-Americano. O resultado foi um empate por 1×1. Desta vez contando com cinco jogadores do Fluminense no elenco (os mesmos Marcos, Fortes e Laís de 1919, e mais Chico Netto e Zezé) o Brasil conquistou o Sul-Americano pela segunda vez.

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Campeonato Sul-Americano de 1922

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Jogos Olímpicos Latino-Americanos de 1922

O Fluminense recebeu amplo reconhecimento do Comitê Olímpico Internacional pelos serviços prestados ao esporte na organização dos Jogos Latino-Americanos.

Carta Baillet Latour

Carta enviada pelo Conde Henri de Baillet-Latour, membro do Comitê Olímpico Internacional, ao presidente do Fluminense Arnaldo Guinle, congratulando-o pela realização dos Jogos Latino-Americanos de 1922. O belga Latour viria a ser Presidente do COI no período de 1925 a 1942.

Em 1928 foram inaugurados os refletores do estádio. A primeira partida noturna ocorreu no dia 21 de Junho. Um amistoso entre a Seleção Carioca e o Motherwell, da Escócia, que terminou empatado em 1×1. Mais ou menos nessa época o estádio recebeu a visita de importantes clubes europeus como Chelsea, Sporting e Ferencvaros, em suas excursões pela América do Sul.

Nas décadas seguintes o Estádio das Laranjeiras continuou sendo o palco principal dos jogos do Fluminense, mas com a inauguração do Maracanã, em 1950, passou a ser utilizado apenas para os jogos de menor porte.

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Em 1959 o “English Team” treina nas Laranjeiras para enfrentar o Brasil (Foto: Ultima Hora)

Em 1961, após longa negociação com o Governo do Estado da Guanabara, a área onde se localizavam as arquibancadas atrás do gol da Rua Pinheiro Machado foi desapropriada para que a rua fosse alargada. O estádio sofreu uma significativa mutilação perdendo sua fachada, suas bilheterias originais e as arquibancadas que formavam um anel completo passaram a ter o formato de ferradura. Pela desapropriação o Fluminense recebeu uma indenização de 50 milhões de cruzeiros e mais o terreno na esquina das ruas Pinheiro Machado e Álvaro Chaves, onde hoje se encontra o parquinho do clube. Para se ter uma ordem de grandeza, naquele mesmo ano o clube vendeu o centroavante Waldo para o Valencia da Espanha por cerca de 20 milhões. No dia 21 de Dezembro de 1961 a demolição foi iniciada.

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Diário de Notícias, 22/12/1961

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Início da demolição da arquibancada (Foto: Revista do Fluminense)

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A fachada do estádio que foi demolida em 1961

Um jogo trágico contra o Olaria na noite de 22 de Julho de 1970 marcou o fim de mais uma era para o estádio. Em campo o Fluminense foi derrotado por 1×0, perdendo pontos preciosos para a disputa do título carioca daquele ano (O Vasco foi campeão um ponto à frente do Flu). Fora de campo o ex-diretor de futebol José Herculano sofreu um enfarto durante o segundo tempo, quando o Fluminense pressionava em busca do empate, e veio a falecer. Após este jogo o clube ficou longos anos sem utilizar o estádio para jogos oficiais. Em um período de quase 16 anos até ele voltar a ser utilizado regularmente em 1986, apenas um inexpressivo amistoso contra a Seleção do Kuwait foi realizado em 1980 (vitória tricolor por 3×0).

No dia 2 de Fevereiro de 1986 o estádio foi reaberto com um amistoso festivo entre Fluminense e São Paulo. Um tira-teima entre os campeões carioca e paulista do ano anterior cujo resultado foi um empate por 2×2. Abria-se uma nova fase para o estádio, que voltou a ser usado com frequência, em alguns momentos até mais que o Maracanã.

Entre 1986 e 2003, quando foi utilizado pela última vez, o Fluminense realizou 196 jogos no Estádio das Laranjeiras, vencendo 117, empatando 51 e perdendo 28. O artilheiro Ézio foi provavelmente a figura mais marcante desta fase do estádio com 44 gols marcados.

No dia 20 de Julho de 2014 foi realizado um jogo festivo entre uma equipe sub-23 do Fluminense e o Exeter City, para celebrar o centenário do primeiro jogo da Seleção Brasileira.

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20/7/2014 – Fluminense (Sub-23) 0 x 0 Exeter City. Centenário do primeiro jogo da Seleção (Foto: globoesporte.com)

Atualmente o estádio das Laranjeiras é utilizado basicamente para jogos de divisões de base e de futebol americano.

TÍTULOS CONQUISTADOS PELO FLUMINENSE NAS LARANJEIRAS

Foram 18 os títulos conquistados pelo Fluminense sendo decididos nas Laranjeiras. Abaixo a relação dos jogos decisivos.

27/10/1907 Fluminense 2 x 0 Paysandu Campeonato Carioca
04/10/1908 Fluminense 6 x 1 Paysandu Campeonato Carioca
10/09/1911 Fluminense 5 x 0 Rio Cricket Campeonato Carioca
16/04/1916 Fluminense 1 x 0 América Torneio Início
21/12/1919 Fluminense 4 x 0 Flamengo Campeonato Carioca
27/04/1924 Fluminense 1 x 0 Flamengo Torneio Início
12/10/1924 Fluminense 7 x 0 Brasil Campeonato Carioca
19/04/1925 Fluminense 1 x 0 São Cristóvão Torneio Início
24/04/1927 Fluminense 2 x 0 São Cristóvão Torneio Início
14/07/1935 Fluminense 3 x 1 América Torneio Aberto
27/12/1936 Fluminense 1 x 1 Flamengo Campeonato Carioca
06/08/1938 Fluminense 6 x 0 Bonsucesso Torneio Municipal
30/12/1938 Fluminense 2 x 2 América Campeonato Carioca
14/04/1940 Fluminense 0 x 0 São Cristóvão(*) Torneio Início
28/03/1943 Fluminense 4 x 1 Madureira Torneio Início
09/07/1952 Fluminense 3 x 2 Cruzeiro Torneio José de Paula Júnior
29/09/1991 Fluminense 0 x 0 América Taça Guanabara
10/04/1993 Fluminense 1 x 0 Volta Redonda Taça Guanabara

(*) O Fluminense venceu no desempate por número de escanteios.

Taça GB 1993

Taça Guanabara de 1993, último título do Fluminense nas Laranjeiras (Foto: Jornal dos Sports)

 

ESTATÍSTICAS, RECORDES E CURIOSIDADES

Todos os jogos do Fluminense em Laranjeiras:

quadro de jogos

Jogadores que mais atuaram pelo Fluminense nas Laranjeiras:
1. Brant – 119 (1933-1941)
2. Ivan Mariz – 115 (1928-1939)
Batatais – 115 (1935-1946)
4. Fortes – 107 (1917-1930)
Russo – 107 (1933-1944)
6. Oswaldo Gomes – 97 (1906-1921)
7. Preguinho – 92 (1925-1938)
Castilho – 92 (1947-1965)
9. Alfredinho – 87 (1926-1932, 1937)
10. Romeu Pellicciari – 84 (1935-1942)
Machado – 84 (1935-1942)

Brant

Brant, o jogador que mais atuou pelo Flu nas Laranjeiras

Maiores artilheiros do Fluminense nas Laranjeiras:
1. Preguinho(*) – 78 (1925-1938)
2. Russo – 74 (1933-1944)
3. Welfare – 71 (1913-1924)
4. Hércules – 60 (1935-1942)
5. Orlando Pingo de Ouro – 49 (1945-1953)
6. Alfredinho – 47 (1926-1932, 1937)
7. Edwin Cox – 44 (1903-1910)
Ézio – 44 (1991-1995)
9. Romeu Pellicciari – 42 (1935-1942)
10. Emile Etchegaray – 40 (1903-1910)

(*) Somando os gols marcados pela Seleção Brasileira e pela Seleção Carioca aos 78 marcados pelo Fluminense, é provável que Preguinho tenha algo em torno de 100 gols no estádio.

preguinho

Preguinho, o maior artilheiro do Estádio das Laranjeiras

Maior invencibilidade do Fluminense nas Laranjeiras:
30 jogos, entre Agosto de 1949 e Julho de 1953

Primeiro jogo:
14/08/1904 – Fluminense 0 x 3 Paulistano-SP (Amistoso)

Inauguração do estádio construído em 1919:
11/05/1919 – Brasil 6 x 0 Chile (Campeonato Sul-Americano)

Primeiro jogo do Fluminense no estádio:
13/07/1919 – Fluminense 4 x 1 Vila Isabel (Campeonato Carioca)

Inauguração do estádio ampliado em 1922:
17/09/1922 – Brasil 1 x 1 Chile (Campeonato Sul-Americano)

Primeiro jogo do Fluminense no estádio:
06/05/1923 – Fluminense 3 x 5 Botafogo (Campeonato Carioca)

Último jogo:
26/02/2003 – Fluminense 3 x 3 Americano (Campeonato Carioca)

Maiores goleadas do Fluminense (10 gols ou mais):
09/09/1906 – Fluminense 11 x 0 Football & Athletic (Campeonato Carioca)
05/07/1908 – Fluminense 11 x 0 Riachuelo (Campeonato Carioca)
09/12/1917 – Fluminense 11 x 1 Bangu (Campeonato Carioca)
23/05/1937 – Fluminense 11 x 1 Oceano F.C. (Torneio Aberto)
21/09/1946 – Fluminense 11 x 1 Bangu (Campeonato Carioca)
23/07/1905 – Fluminense 10 x 0 Football & Athletic (Amistoso)
13/06/1909 – Fluminense 10 x 0 Haddock Lobo (Campeonato Carioca)
27/09/1936 – Fluminense 10 x 0 Portuguesa (Campeonato Carioca)
03/05/1908 – Fluminense 10 x 1 Paysandu (Campeonato Carioca)
17/08/1913 – Fluminense 10 x 2 Mangueira (Campeonato Carioca)

Recorde de público:
Era mais ou menos comum na primeira metade do século passado os jornais citarem públicos arrendondados e estimados nas matérias sobre os jogos. Há menções a públicos de até 30.000 pessoas no Estádio das Laranjeiras. Porém o maior público oficialmente registrado no estádio que se tem notícia foi o do Fla-Flu do dia 14 de Junho de 1925, pelo primeiro turno do Campeonato Carioca. Naquele dia 25.748 pessoas pagaram ingresso para ver o Fluminense derrotar seu rival por 3×1, com gols de Fortes, Coelho e Nilo.

Nessa época, além do estádio ainda ter o anel completo de arquibancadas, nos grandes jogos torcedores também eram acomodados dentro do gramado, separados do campo apenas por uma cerca. Dessa forma era possível chegar a públicos de 25 mil pessoas ou mais.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Além de sediar o primeiro jogo da Seleção Brasileira, em 1914, o estádio do Fluminense foi palco dos títulos Sul-Americanos de 1919 e 1922, e da Copa Rio Branco de 1931. Em 17 jogos realizados nas Laranjeiras o Brasil nunca perdeu. Foram 12 vitórias e 5 empates.

Brasil Time Campeao 1919

Seleção Brasileira campeã do Sul-Americano de 1919

Haddad

Foto: Bruno Haddad / Fluminense FC

Crédito de imagens: Fluminense Football Club, exceto quando especificado

 

 

 

Os clássicos

Um tema que tem sido bastante discutido pelos tricolores ultimamente é o desempenho do clube em clássicos. É inegável que de alguns anos para cá o aproveitamento do Fluminense contra seus rivais estaduais tem apresentado um claro declínio. Neste post apresento um raio-x dos confrontos do Fluminense contra Flamengo, Vasco e Botafogo ao longo da história.

por decada

 

Flu x Botafogo

No clássico vovô, o mais antigo do futebol brasileiro, o Fluminense sempre teve vantagem. Desde o primeiro jogo em 1905. Essa vantagem teve seu ápice em 1957, quando o Fluminense, ao derrotar o Botafogo por 1×0 pelo primeiro turno do Campeonato Carioca, abriu 23 vitórias de diferença (61×38). Nos anos 60 o Botafogo reduziu bastante essa diferença, chegando a baixá-la para 11 em 1968 (70×59).

Desde então a vantagem tricolor oscilou entre o valor mínimo de 9 (em algumas ocasiões nos anos 70 e neste ano de 2017) e máximo de 17, em 2005. Atualmente o Fluminense tem 10 vitórias a mais que o Botafogo.

Recordes do clássico:

Maior invencibilidade do Fluminense: 14 jogos entre 1923 e 1929
Maior invencibilidade do Botafogo: 12 jogos entre 1960 e 1964
Maior sequência de vitórias do Fluminense: 5 vitórias entre 1928 e 1929
Maior sequência de vitórias do Botafogo: 4 vitórias entre 1961 e 1962
Maior goleada do Fluminense: 13.05.1906 – Fluminense 8×0 Botafogo
Maior goleada do Botafogo: 25.09.1910 – Botafogo 6×1 Fluminense
Maior artilheiro do Fluminense: Welfare, 18 gols

 

Flu x Flamengo

Todo mundo conhece a história do primeiro Fla-Flu disputado em 1912: um cata-cata tricolor vencendo heroicamente os jogadores que haviam sido campeões pelo próprio Fluminense no ano anterior. Foi uma zebra histórica. Tanto é que o Flamengo venceu os sete clássicos seguintes, e o Fluminense só voltou a vencer em 1916.

A partir daí o confronto apresentou grande equilíbrio e pouco a pouco o Fluminense foi tirando a diferença até conseguir passar o rival em 1938 (26 vitórias contra 25).

Até os anos 60 o confronto se manteve absolutamente equilibrado com Flu e Fla se alternando em vantagem, sempre pequena.

A última vez que o Fluminense esteve em vantagem foi em 1957. Ao vencer o rival por 2×1 no dia 8 de dezembro daquele ano o Tricolor chegou a 56 vitórias contra 55 do adversário. O Flamengo recuperou a vantagem já no ano seguinte e o Fluminense ainda conseguiu empatar o confronto por mais duas vezes. A primeira delas em 1959, e a segunda e última no dia 20 de agosto de 1961, com uma vitória por 4×3. Foi a última vez que os dois rivais estiveram igualados.

Entre 1961 e 1968 o Fluminense teve desempenho pífio no clássico e os rubro-negros pela primeira vez conseguiram abrir uma vantagem confortável com 14 vitórias a mais (62×76).

Desde então a vantagem rubro-negra oscilou entre um mínimo de apenas 4, em 1974, e um máximo de 22 vitórias de diferença, hoje. Nos últimos anos a vantagem de fato se acentuou drasticamente. Até esta década ela nunca havia passado de 15.

É de se notar, especialmente analisando os números por década, que o Fluminense foi mal neste clássico em três momentos específicos de sua história: 1912-1915 (sete derrotas seguidas), 1961-1968 (14 vitórias de vantagem para o Flamengo) e 2011-2017 (7 vitórias de vantagem para o Flamengo). Nos demais períodos há grande equilíbrio, até mesmo com pequena vantagem para o Fluminense.

Jogos em que houve mudança na liderança do confronto:

07.07.1912 – Fluminense 3 x 2 Flamengo – Campeonato Carioca (1×0)
03.08.1913 – Fluminense 3 x 6 Flamengo – Campeonato Carioca (1×2)
08.05.1938 – Fluminense 1 x 0 Flamengo – Torneio Municipal (26×25)
02.06.1940 – Fluminense 1 x 2 Flamengo – Campeonato Carioca (28×29)
19.03.1952 – Fluminense 3 x 2 Flamengo – Torneio Rio-SP (47×46)
20.01.1953 – Fluminense 1 x 3 Flamengo – Campeonato Carioca (47×48)
11.09.1955 – Fluminense 2 x 1 Flamengo – Campeonato Carioca (52×51)
09.12.1956 – Fluminense 0 x 1 Flamengo – Campeonato Carioca (53×54)
08.12.1957 – Fluminense 2 x 1 Flamengo – Campeonato Carioca (56×55)
27.09.1958 – Fluminense 1 x 2 Flamengo – Campeonato Carioca (56×57)

Recordes do clássico:

Maior invencibilidade do Fluminense: 12 jogos entre 1936 e 1938
Maior invencibilidade do Flamengo: 11 jogos entre 1912 e 1916
Maior sequência de vitórias do Fluminense: 4 vitórias entre 1951 e 1952
Maior sequência de vitórias do Flamengo: 7 vitórias entre 1912 e 1915
Maior goleada do Fluminense (por saldo de gols):
21.12.1919 – Fluminense 4×0 Flamengo
24.03.1943 – Fluminense 5×1 Flamengo
11.04.1945 – Fluminense 4×0 Flamengo
15.03.2003 – Fluminense 4×0 Flamengo
Maior goleada do Flamengo:
10.06.1945 – Flamengo 7×0 Fluminense
Maior artilheiro do Fluminense: Hércules, 14 gols

 

Flu x Vasco

Apesar do mito que existia de uma suposta ampla freguesia vascaína, alimentado por estatísticas incompletas que eram divulgadas até mais ou menos o final dos anos 80, o clássico Fluminense x Vasco sempre foi muito equilibrado. Deixou de ser nos anos 90.

O primeiro confronto entre os dois clubes aconteceu em 1923. Eram os tempos do chamado “amadorismo marrom”. Deixando os pormenores para um futuro post, na definição precisa do genial Mário Filho “o Fluminense se considerava um nobre de florete em punho diante de cangaceiros de trabuco”. Nesse cenário o Vasco ganhou todos os quatro primeiros confrontos.

Entre 1939 e 1940 o Fluminense obteve uma sequência de seis vitórias seguidas e passou a frente no confronto pela primeira vez (20×19).

A partir de então os dois times se alternaram na liderança do clássico. Em uma das vezes em que recuperou a supremacia do confronto, entre 1980 e 1985, o Fluminense alcançou sua maior vantagem: chegou a 9 vitórias de diferença ao vencer o Vasco por 3×0 no Campeonato Brasileiro de 1976.

Em 1992 o Vasco tomou a frente pela última vez e desde então vem abrindo vantagem cada vez maior, tendo hoje 25 vitórias a mais.

Jogos em que houve mudança na liderança do confronto:

11.03.1923 – Fluminense 2 x 3 Vasco – Amistoso (0x1)
25.08.1940 – Fluminense 4 x 2 Vasco – Camp. Carioca/Rio-SP (20×19)
05.10.1947 – Fluminense 3 x 5 Vasco – Campeonato Carioca (31×32)
19.09.1948 – Fluminense 2 x 0 Vasco – Campeonato Carioca (34×33)
07.08.1949 – Fluminense 3 x 5 Vasco – Campeonato Carioca (34×35)
20.09.1970 – Fluminense 2 x 0 Vasco – Campeonato Carioca (65×64)
17.03.1985 – Fluminense 1 x 2 Vasco – Campeonato Brasileiro (89×90)
12.04.1987 – Fluminense 3 x 0 Vasco – Campeonato Carioca (91×90)
29.11.1992 – Fluminense 0 x 1 Vasco – Campeonato Carioca (99×100)

Recordes do clássico:

Maior invencibilidade do Fluminense: 13 jogos entre 1969 e 1971
Maior invencibilidade do Vasco: 10 jogos entre 1991 e 1993, e entre 2012 e 2015
Maior sequência de vitórias do Fluminense: 6 vitórias entre 1939 e 1940
Maior sequência de vitórias do Vasco: 5 vitórias entre 1999 e 2000
Maior goleada do Fluminense (por saldo de gols):
22.11.1925 – Fluminense 5×1 Vasco
11.05.1941 – Fluminense 6×2 Vasco
24.06.1948 – Fluminense 4×0 Vasco
08.09.1974 – Fluminense 5×1 Vasco
Maior goleada do Vasco:
09.11.1930 – Vasco 6×0 Fluminense
Maior artilheiro do Fluminense: Waldo, 12 gols

Fla-Flu e a lógica, eternos rivais

Fluminense x Flamengo, segundo turno do Campeonato Carioca de 1982. O Flamengo já tinha conquistado o Brasileiro daquele ano, estava vivendo os melhores anos de sua história. O Fluminense fazia campanha fraquíssima. Apesar de já contar com Paulo Victor, Aldo e Jandir, que fariam história nos anos seguintes, e com o veterano Rubens Galaxe, de tantas conquistas pelo clube, o time era sofrível.

46 minutos do segundo tempo. 0x0 no placar. Escanteio para o Flamengo, Paulo Victor reclama com o árbitro Élson Pessoa, pede que ele encerre o jogo. Para evitar spoilers, o resto da história você vê no vídeo abaixo.

Esta partida completou 35 anos ontem. É mais uma entre as inúmeras que comprovam que a lógica neste clássico vale muito pouca coisa. Tudo pode acontecer. Sempre.