Autor: joaobolt

Todos os pênaltis do Fluminense (V 2.0)

Em 2017, influenciado pela incrível eficiência do então centroavante tricolor Henrique Dourado, fiz um levantamento com todos os pênaltis da história do clube que pude encontrar para verificar se o “ceifador” era de fato o melhor cobrador de todos. Já se passaram quase três anos, muitos outros pênaltis foram cobrados e correções pontuais se fazem necessárias. Sendo assim, resolvi fazer uma atualização do post. O original foi apagado para não causar confusão.

Conforme expliquei no post original e reitero aqui, o título do post é uma licença poética. É impossível alguém afirmar que tem registro de todos os pênaltis cobrados pelo Fluminense ao longo dos seus 118 anos de história. Mas dá pra estimar que esse levantamento representa pelo menos 95%.

Até a data da publicação deste post (27/7/2020), entre pênaltis batidos no decorrer do jogo e em disputas de pênalti o Fluminense executou 1.300 cobranças, sendo 964 convertidas e 336 perdidas. Um aproveitamento de 74,15%, que não chega a impressionar. arredondando, três gols a cada quatro pênaltis batidos. Foram 307 cobradores diferentes.

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Quem é o melhor batedor de todos? São muitos os jogadores com 100% de aproveitamento pelo Fluminense. Mas a grande maioria deles tem apenas uma cobrança. Muitos tem duas. Ou seja, uma amostragem que não é representativa. Se elegermos o melhor batedor aquele que tiver o maior número de cobranças dentre os que nunca perderam um pênalti, Henrique Dourado de fato é o melhor. O jogador cobrou 11 vezes e converteu todas. Nenê, com 100% em seis cobranças, já figura entre os melhores nesse critério. Veja a tabela abaixo.

Cobrados Convertidos Perdidos Aproveitamento
Henrique Dourado (2016-18) 11 11 0 100,00%
Maurinho (1959-63) 8 8 0 100,00%
Quincas (1951-56) 7 7 0 100,00%
Rinaldo (1967) 7 7 0 100,00%
Nenê (2019-20) 6 6 0 100,00%
Pedro (2016-19) 6 6 0 100,00%
Rangel (1986-91) 6 6 0 100,00%
Edmundo (2004) 5 5 0 100,00%

E quem cobrou mais pênaltis? Pinheiro, histórico zagueiro sempre lembrado pelos tricolores mais antigos quando se fala de pênaltis, é o recordista com incríveis 49 cobranças. 12 delas aconteceram em um mesmo dia: 15 de Julho de 1956, data em que foi disputado o Torneio Início. Na época os jogos desta competição tinham apenas 20 minutos de duração e eram desempatados em séries de três pênaltis cobrados pelo mesmo jogador. Três jogos foram decididos dessa forma em favor do Fluminense. Em um deles, contra o Bangu, foram necessárias duas séries de três pênaltis. Pinheiro teve então que cobrar 12 pênaltis para levar o Fluminense ao título, desperdiçando apenas um. É provável que tenha nascido aí a lenda em torno de seu nome e os pênaltis.

O ídolo Fred, que recentemente retornou ao clube, aparece logo a seguir com 47 cobranças. Veja abaixo todos que cobraram mais de 20 pênaltis.

Cobrados Convertidos Perdidos Aproveitamento
Pinheiro (1949-63) 49 41 8 83,67%
Fred (2009-20) 47 36 11 76,60%
Leomir (1983-88) 36 27 9 75,00%
Ézio (1991-95) 30 26 4 86,67%
Zezé (1977-81) 25 20 5 80,00%
Rodrigues (1945-50) 25 18 7 72,00%
Hércules (1935-42) 24 21 3 87,50%
Lula (1965-74) 23 19 4 82,61%
Orlando “Pingo de Ouro” (1945-53) 23 16 7 69,57%
Carlos Alberto Torres (1962-76) 22 18 4 81,82%
Gílson Nunes (1964-70) 22 18 4 81,82%
Roger (1996-04) 21 14 7 66,67%

Para estabelecer um ranking dos 10 maiores cobradores da história do clube vamos levar em conta os dois fatores: bom aproveitamento e um número significativo de cobranças. Excluindo-se aqueles que bateram menos de 10 pênaltis, os 10 jogadores com melhor aproveitamento e portanto (discutivelmente, é claro) os maiores cobradores da história do Fluminense são:

Cobrados Convertidos Perdidos Aproveitamento
1. Henrique Dourado (2016-18) 11 11 0 100,00%
2. Gabriel (2005-08) 17 16 1 94,12%
3. Paulo Roberto (1996-97) 12 11 1 91,67%
4. Joel (1948-54) 10 9 1 90,00%
5. Marinho Chagas (1977-78) 19 17 2 89,47%
6. Zezé (1915-28) 17 15 2 88,24%
7. Hércules (1935-42) 24 21 3 87,50%
8. Ézio (1991-95) 30 26 4 86,67%
9. Pinheiro (1949-63) 49 41 8 83,67%
10. Flávio (1969-71) 12 10 2 83,33%

Curiosidades:

– Quatro goleiros cobraram pênalti pelo Fluminense. O inglês Waterman bateu e marcou na vitória de 11×0 sobre o Riachuelo pelo Campeonato Carioca de 1908. Outro que converteu foi Kléber, na disputa de pênaltis contra o Treze de Campina Grande pelas quartas de final da Copa do Brasil de 2005. Já Ricardo Pinto e Diego Cavalieri perderam suas cobranças em disputas de pênaltis nas quais o Fluminense foi derrotado. O primeiro contra o Vasco no Campeonato Brasileiro de 1988 e o segundo contra o Botafogo nas semifinais do Carioca de 2015.

– Didi, um dos maiores craques de todos os tempos, foi o único jogador que perdeu dois pênaltis durante uma mesma partida. Aconteceu no dia 29 de Outubro de 1950, no empate contra o Madureira por 3×3 nas Laranjeiras, pelo Campeonato Carioca.

– Na versão anterior deste levantamento eu considerava que o lateral direito Paulo Roberto, que jogou pelo Fluminense nos terríveis anos de 1996 e 97, se igualava a Henrique Dourado com 100% de aproveitamento em 11 cobranças. No entanto encontrei mais uma, no jogo contra o Bangu do dia 27 de Abril de 1997. Tinha passado batido pois o jogador fez o gol no rebote. Mas o pênalti foi de fato perdido.

– O Torneio Início era o paraíso dos cobradores de pênalti. As partidas curtas na maior parte das vezes terminava empatada. Em algumas edições o desempate era feito pelo número de escanteios. Em outras, por disputa de pênaltis. Nesses casos, era pênalti que não acabava mais. Na edição de 1954 o veterano ponta Esquerdinha, craque do América nos anos 40, bateu 5 pênaltis na semifinal contra o Vasco, convertendo todos. Com bola rolando fez o gol do título na final contra o Flamengo, saindo como o herói da conquista. Na edição de 1960 Maurinho bateu todos os 8 pênaltis de sua passagem pelo Fluminense, também com 100% de acerto. O Flu foi vice-campeão. Já em 1965 o rei dos pênaltis foi Gílson Nunes. O ponta esquerda bateu e converteu nove pênaltis no caminho para a final. Na decisão contra o Flamengo foi substituído por Lula que cobrou os pênaltis e deu o título ao Fluminense.

Abaixo a relação de todos os 307 cobradores e seus respectivos números:

Cobrados Convertidos Perdidos Aproveitamento
Agnaldo (2000-02) 7 6 1 85,71%
Agnaldo Liz (2000-01) 1 1 0 100,00%
Airton (2018-19) 1 1 0 100,00%
Alan (2002-06) 1 1 0 100,00%
Alan (2008-10) 1 0 1 0,00%
Alessandro (2004) 1 1 0 100,00%
Alex (2001-07) 1 1 0 100,00%
Alex Oliveira (2003) 1 0 1 0,00%
Alexandre Cruz (1988-89) 2 1 1 50,00%
Alexandre Torres (1984-91) 6 5 1 83,33%
Alfredinho (1926-37) 1 0 1 0,00%
Almir (1979-81) 1 1 0 100,00%
Amauri (1982-83) 3 2 1 66,67%
Amoroso (1964-68) 10 6 4 60,00%
Anderson (1992) 2 2 0 100,00%
Anderson (2012-13) 1 1 0 100,00%
Andrei (1993-2002) 1 0 1 0,00%
Anito (1942-43) 1 1 0 100,00%
Antoninho (1957) 6 4 2 66,67%
Antônio Carlos (2003-15) 1 1 0 100,00%
Araújo (2011-12) 1 0 1 0,00%
Arouca (2004-08) 2 1 1 50,00%
Arturzinho (1976-79) 1 0 1 0,00%
Asprilla (2000-01) 1 0 1 0,00%
Assis (1968-75) 1 1 0 100,00%
Assis (1983-87) 1 0 1 0,00%
Bacchi (1919-22) 1 0 1 0,00%
Baptista (1913-18) 1 0 1 0,00%
Barata (1996-97) 1 1 0 100,00%
Bartholomeu (1912-16) 6 3 3 50,00%
Baztarrica (1944-45) 1 0 1 0,00%
Benedicto (1933) 1 1 0 100,00%
Beto (2005-06) 1 0 1 0,00%
Bobô (1991-92) 4 3 1 75,00%
Branco (1983-98) 4 3 1 75,00%
Brant (1933-41) 8 4 4 50,00%
Bruno Reis (1996-2000) 1 0 1 0,00%
Buchan (1905-09) 1 1 0 100,00%
Cacau (1988-89) 1 0 1 0,00%
Cafuringa (1967-77) 4 3 1 75,00%
Caio Henrique (2019) 1 1 0 100,00%
Calazans (1961-64) 1 1 0 100,00%
Careca (1946-48) 6 5 1 83,33%
Carlinhos (1973-79) 2 1 1 50,00%
Carlinhos (2007-08) 1 0 1 0,00%
Carlinhos (2010-14) 1 1 0 100,00%
Carlinhos Itaberá (1991-92) 4 3 1 75,00%
Carlos Alberto (1914-15) 1 1 0 100,00%
Carlos Alberto (2002-07) 9 7 2 77,78%
Carlos Alberto Torres (1962-76) 22 18 4 81,82%
Cássio (2009-10) 1 1 0 100,00%
César (2000-03) 1 0 1 0,00%
Chico Netto (1915-24) 12 9 3 75,00%
Chiquinho (1993) 1 1 0 100,00%
Cícero (2007-16) 8 5 3 62,50%
Cláudio (1994) 2 2 0 100,00%
Cláudio Adão (1980-81) 12 8 4 66,67%
Cocada (1989-90) 3 3 0 100,00%
Conca (2008-15) 14 11 3 78,57%
Cristóvão (1979-83) 2 1 1 50,00%
Dago (1987-91) 2 1 1 50,00%
De Mori (1929-36) 1 0 1 0,00%
Deco (2010-13) 1 1 0 100,00%
Deley (1980-87) 4 3 1 75,00%
Didi (1949-56) 19 14 5 73,68%
Diego Cavalieri (2011-17) 1 0 1 0,00%
Diego Souza (2003-16) 2 2 0 100,00%
Djair (1994-2003) 1 0 1 0,00%
Dodi (2018-20) 1 0 1 0,00%
Dodô (1994-2008) 4 2 2 50,00%
Donizete (1987-90) 2 1 1 50,00%
Donizete Amorim (2000) 1 0 1 0,00%
Douglas (2015-18) 1 1 0 100,00%
Doval (1976-78) 3 2 1 66,67%
Duílio (1983-85) 2 1 1 50,00%
Edevaldo (1977-81) 2 1 1 50,00%
Edgar (1987-90) 2 1 1 50,00%
Edinho (1973-89) 14 9 5 64,29%
Edinho (2011-13) 1 1 0 100,00%
Edmundo (2004) 5 5 0 100,00%
Édson (2014-16) 1 1 0 100,00%
Édson Mariano (1985-89) 3 3 0 100,00%
Édson Souza (1984-87) 1 1 0 100,00%
Eduardo (1985-94) 7 4 3 57,14%
Edwin Cox (1903-10) 3 2 1 66,67%
Emile Etchegaray (1903-10) 2 1 1 50,00%
Esquerdinha (1954) 8 7 1 87,50%
Evanílson (2018-20) 1 1 0 100,00%
Ézio (1991-95) 30 26 4 86,67%
Fabiano Eler (2005) 1 1 0 100,00%
Fabinho (2000-02) 1 1 0 100,00%
Fábio Bala (2002-04) 1 1 0 100,00%
Feléu (1994) 1 1 0 100,00%
Felipe (2005-13) 3 3 0 100,00%
Felipe Amorim (2016) 1 0 1 0,00%
Fernando Pacheco (2020) 1 1 0 100,00%
Flávio (1969-71) 12 10 2 83,33%
Flávio (1998-03) 1 1 0 100,00%
Flávio Guilherme (1982) 2 1 1 50,00%
Flávio Renato (1981-85) 1 0 1 0,00%
Floriano (1924-27) 2 0 2 0,00%
Fortes (1917-30) 7 5 2 71,43%
Franklin (1988-90) 1 0 1 0,00%
Fred (2009-20) 47 36 11 76,60%
Fumanchu (1978-79) 11 9 2 81,82%
Gabriel (2005-08) 17 16 1 94,12%
Gallo (1986) 1 1 0 100,00%
Galo (1909-11) 1 1 0 100,00%
Gama (1989-90) 1 0 1 0,00%
Gélson (1958) 1 0 1 0,00%
Geraldino (1944-46) 3 1 2 33,33%
Gérson (2015-16) 1 0 1 0,00%
Getúlio (1984-85) 2 0 2 0,00%
Gil (1974-76) 8 5 3 62,50%
Gilberto (2018-20) 2 0 2 0,00%
Gilcimar (1977-82) 1 0 1 0,00%
Gílson Gênio (1976-79) 1 1 0 100,00%
Gílson Nunes (1964-70) 22 18 4 81,82%
Guilherme (1997) 1 1 0 100,00%
Gum (2009-2018) 4 3 1 75,00%
Gustavo Scarpa (2014-17) 3 1 2 33,33%
Hélio (1989-90) 1 0 1 0,00%
Henrique (2016-17) 1 1 0 100,00%
Henrique Dourado (2016-18) 11 11 0 100,00%
Hércules (1935-42) 24 21 3 87,50%
Hudson (2020) 1 1 0 100,00%
Igor (2005) 1 1 0 100,00%
Ivan (1957-59) 3 3 0 100,00%
Jadílson (2003) 1 1 0 100,00%
Jádson (2018) 1 1 0 100,00%
Jair (1950-53) 3 1 2 33,33%
Jambo (1942-45) 2 1 1 50,00%
Jandir (1982-94) 4 3 1 75,00%
Jean (2012-15) 6 5 1 83,33%
João Pedro (2019) 1 0 1 0,00%
João Santos (1986-90) 3 3 0 100,00%
Joel (1948-54) 10 9 1 90,00%
Jorge Luís (1995-2000) 1 1 0 100,00%
Jorginho (1988) 1 1 0 100,00%
Jorginho (2000-01) 1 0 1 0,00%
Juan (2004-05) 3 3 0 100,00%
Julinho (1990-93) 1 1 0 100,00%
Júlio César (1999-2002) 3 3 0 100,00%
Juninho (2005-06) 1 0 1 0,00%
Juvenal (1946-48) 1 1 0 100,00%
Kenedy (2013-15) 1 0 1 0,00%
Kléber (2002-05) 1 1 0 100,00%
Laís (1916-24) 1 1 0 100,00%
Lanzini (2011-12) 1 0 1 0,00%
Lara (1935-37) 1 1 0 100,00%
Legey (1932) 1 1 0 100,00%
Leomir (1983-88) 36 27 9 75,00%
Leonardo (1994-96) 6 4 2 66,67%
Lino (2005) 1 1 0 100,00%
Lira (1992-95) 4 3 1 75,00%
Lucas (2017) 1 1 0 100,00%
Luciano (2018-19) 5 2 3 40,00%
Luiz Antônio (1994-95) 1 0 1 0,00%
Lula (1965-74) 23 19 4 82,61%
Machado (1917-22) 1 0 1 0,00%
Machado (1935-42) 8 5 3 62,50%
Magno Alves (1998-2016) 6 4 2 66,67%
Magnones (1942-45) 5 4 1 80,00%
Manfrini (1973-75) 6 5 1 83,33%
Manoel (1961-64) 1 1 0 100,00%
Maracaí (1942-44) 3 2 1 66,67%
Marcão (1999-2006) 3 3 0 100,00%
Marcelo (2005-06) 1 1 0 100,00%
Marco Brito (1995-2003) 3 3 0 100,00%
Marcos Júnior (2012-18) 3 3 0 100,00%
Marinho Chagas (1977-78) 19 17 2 89,47%
Mário (1958-1959) 1 1 0 100,00%
Mário (1977-82) 1 1 0 100,00%
Mário Jorge (1980-81) 1 1 0 100,00%
Marlon (2014-16) 1 1 0 100,00%
Marlone (2015) 1 1 0 100,00%
Marquinho (1989) 1 1 0 100,00%
Marquinho (2009-2017) 2 2 0 100,00%
Marquinhos (1990) 2 1 1 50,00%
Maurinho (1959-63) 8 8 0 100,00%
Maurinho (1983-85) 1 1 0 100,00%
Mazola (1992) 1 1 0 100,00%
Michel Araújo (2020) 1 0 1 0,00%
Milani (1939-40) 1 1 0 100,00%
Milton (1951-55) 1 1 0 100,00%
Nascimento (1921-29) 1 1 0 100,00%
Nei Dias (1982) 2 2 0 100,00%
Neinha (1980-81) 1 1 0 100,00%
Nélio (1967-70) 6 3 3 50,00%
Nenê (2019-20) 6 6 0 100,00%
Nilo (1923-26) 1 0 1 0,00%
Norival (1940-45) 1 0 1 0,00%
Nunes (1978-79) 3 1 2 33,33%
Odair Hellmann (1999) 1 1 0 100,00%
Oldair (1961-65) 4 4 0 100,00%
Oliveira (1966-73) 1 1 0 100,00%
Orlando “Pingo de Ouro” (1945-53) 23 16 7 69,57%
Osvaldo (2015-17) 1 0 1 0,00%
Oswaldo Gomes (1906-21) 1 1 0 100,00%
Paschoal (1945-47) 3 2 1 66,67%
Paulinho (1959-63) 1 0 1 0,00%
Paulinho (1982-92) 4 3 1 75,00%
Paulinho Andrioli (1987-90) 1 0 1 0,00%
Paulinho McLaren (1997) 3 3 0 100,00%
Paulo Afonso (1992) 1 1 0 100,00%
Paulo César “Caju” (1975-76) 2 0 2 0,00%
Paulo César (1997-2009) 8 6 2 75,00%
Paulo Henrique Ganso (2019-20) 3 2 1 66,67%
Paulo Roberto (1996-97) 12 11 1 91,67%
Pedro (2016-19) 6 6 0 100,00%
Petkovic (2005-06) 9 5 4 55,56%
Pinhegas (1944-48) 2 2 0 100,00%
Pinheiro (1949-63) 49 41 8 83,67%
Pintinho (1973-85) 3 3 0 100,00%
Pinto (1930-32) 1 0 1 0,00%
Polaco (1988-89) 4 3 1 75,00%
Preguinho (1925-38) 14 10 4 71,43%
Quincas (1951-56) 7 7 0 100,00%
Radamés (2005-09) 1 1 0 100,00%
Rafael Moura (2007-12) 6 3 3 50,00%
Rafael Sóbis (2011-14) 2 2 0 100,00%
Ramon (2001-04) 3 3 0 100,00%
Rangel (1986-91) 6 6 0 100,00%
Régis (2000-02) 2 2 0 100,00%
Renatinho (1992-93) 2 1 1 50,00%
Renatinho (2003) 1 0 1 0,00%
Renato (1990-92) 1 1 0 100,00%
Renato (2015-2017) 1 1 0 100,00%
Renato Chaves (2016-18) 1 1 0 100,00%
Renato Gaúcho (1995-97) 4 4 0 100,00%
Renato Martins (1984-87) 1 0 1 0,00%
Renê (1984-92) 1 1 0 100,00%
Rhayner (2013) 2 0 2 0,00%
Ribamar (1991) 1 1 0 100,00%
Ricardo Gomes (1983-88) 7 5 2 71,43%
Ricardo Pinto (1987-93) 1 0 1 0,00%
Richarlison (2016-17) 5 4 1 80,00%
Rinaldo (1967) 7 7 0 100,00%
Rinaldo (1989-90) 5 2 3 40,00%
Robert (2013-17) 1 1 0 100,00%
Robertinho (1978-82) 3 2 1 66,67%
Roberto (1956-63) 1 0 1 0,00%
Roberto Pinto (1966-67) 1 1 0 100,00%
Robinho (2017-18) 3 3 0 100,00%
Rodolfo (2002-04) 2 1 1 50,00%
Rodrigo Carbone (1994-96) 1 1 0 100,00%
Rodrigues (1945-50) 25 18 7 72,00%
Rodrigues Neto (1976-77) 1 0 1 0,00%
Rodriguinho (2010-11) 1 0 1 0,00%
Roger (1996-2004) 21 14 7 66,67%
Rogerinho Galo (1992-95) 2 2 0 100,00%
Romarinho (2017-18) 1 0 1 0,00%
Romário (2002-04) 20 16 4 80,00%
Romerito (1984-89) 20 14 6 70,00%
Ronald (1995-97) 6 5 1 83,33%
Rongo (1940-41) 3 3 0 100,00%
Roni (1997-2009) 15 8 7 53,33%
Rubens Galaxe (1971-82) 2 1 1 50,00%
Rubinho (1947-49) 1 1 0 100,00%
Russo (1933-44) 19 13 6 68,42%
Said (1933) 1 1 0 100,00%
Schneider (2005) 1 1 0 100,00%
Silas (1949-51) 5 3 2 60,00%
Silveira (1966-75) 8 6 2 75,00%
Sílvio (1988-90) 1 1 0 100,00%
Simões (1944-53) 2 1 1 50,00%
Sobral (1934-38) 3 2 1 66,67%
Somália (2007-08) 3 2 1 66,67%
Sorato (2003) 2 1 1 50,00%
Sornoza (2017-18) 2 0 2 0,00%
Souza (2011-12) 2 1 1 50,00%
Tartá (2007-11) 1 0 1 0,00%
Telê (1950-61) 3 1 2 33,33%
Thiago Carleto (2012) 1 1 0 100,00%
Thiago Neves (2007-13) 9 6 3 66,67%
Thiago Silva (2006-08) 3 3 0 100,00%
Tim (1937-44) 4 2 2 50,00%
Toninho (1970-75) 2 2 0 100,00%
Túlio (1999) 1 0 1 0,00%
Tuta (2005-06) 9 8 1 88,89%
Uidemar (1996) 4 3 1 75,00%
Valdeir (1995-96) 1 1 0 100,00%
Valdenir (1995-96) 1 1 0 100,00%
Vânder Luiz (1989-90) 2 2 0 100,00%
Vasco (1963) 1 0 1 0,00%
Vicentino (1933-38) 2 2 0 100,00%
Vidal (1913-21) 1 1 0 100,00%
Villalobos (1951-54) 4 3 1 75,00%
Votorantim (1934-35) 1 0 1 0,00%
Wagner (1991-93) 1 0 1 0,00%
Waldo (1954-61) 5 3 2 60,00%
Walter (1933-35) 2 2 0 100,00%
Washington (1983-89) 12 8 4 66,67%
Washington (2008-10) 12 8 4 66,67%
Waterman (1906-10) 1 1 0 100,00%
Welfare (1913-24) 2 1 1 50,00%
Wellington Silva (2010-20) 1 1 0 100,00%
Wellington Silva (2013-16) 1 1 0 100,00%
Wellington Nem (2012-19) 1 1 0 100,00%
Welton (1994) 1 0 1 0,00%
Yan (1997-2002) 5 4 1 80,00%
Yony González (2019) 2 1 1 50,00%
Zé Mário (1975) 1 1 0 100,00%
Zé Roberto (1971-75) 1 1 0 100,00%
Zezé (1915-28) 17 15 2 88,24%
Zezé (1977-81) 25 20 5 80,00%
Zezé Gomes (1979-85) 4 4 0 100,00%

Foto: LUCAS MERÇON/FLUMINENSE FC

Cem Anos de Pó de Arroz

Quase passou em branco. Acabo de receber um e-mail do grande tricolor Alexandre Berwanger me lembrando do fato de que hoje, exatamente hoje, dia 13 de maio de 2014, completam-se 100 anos que o Fluminense virou pó de arroz.

É bem provável que ele esteja certo pois foi no dia 13/5/1914 que o ex-americano Carlos Alberto jogou pelo Fluminense contra seu ex-clube pela primeira vez. E como todo tricolor que se preza sabe bem, partiu de uma provocação da torcida do América chamá-lo de pó de arroz.

Em tempos de bananas atiradas no gramado e homenagens a técnicos negros (para demitir no dia seguinte), é sempre bom relembrar um pouco essa história. Mas relembrar direito, do jeito que realmente foi, e não a releitura histórica promovida por nossos rivais, que tentam com isso, de forma risível, atribuir uma pecha racista ao Fluminense.

Em primeiro lugar é preciso deixar claro que o Fluminense teve jogadores negros antes do Carlos Alberto. Na foto que ilustra este post (de 1910) vemos por exemplo o jogador Alfredo Guimarães, que jogou pelo Fluminense entre 1910 e 1911. Bem antes do Carlos Alberto portanto.

A foto por si só joga por terra qualquer tese de que negros não podiam jogar no Fluminense.

Em segundo lugar, é sabido que o Carlos Alberto já passava pó de arroz antes de ser do Fluminense, quando era jogador do América. Não existe nenhum relato do jogador ter sido obrigado ou constrangido a passar pó de arroz quando ingressou no Fluminense. Ele assim o fez porquê quis e porquê já tinha esse hábito. A própria provocação de “xingar” o jogador de pó de arroz partiu justamente da torcida do América, que sabia de seu hábito e provavelmente estava com dor de cotovelo pelo fato do jogador ter trocado o clube rubro pelo Flu.

Entendo a provocação dos torcedores americanos, essa sim, como uma possível manifestação racista. Algo como: “sabemos que você é negro. Esse pó de arroz no rosto não me engana”. É uma interpretação cabível.

O livro “Negro no futebol brasileiro” relata casos explícitos de racismo no Botafogo, no Flamengo, no América e na Seleção Brasileira. Mas foi justo o Fluminense, por causa de um jogador que tinha por hábito passar pó de arroz no rosto desde antes de jogar no Fluminense, e que por essa razão foi hostilizado por outra torcida que não a do Fluminense, que ficou estigmatizado. Vai entender.

Vale lembrar que Friedenreich, o maior craque brasileiro dos tempos do amadorismo, filho de pai alemão e mãe negra, em atitude semelhante à do Carlos Alberto passava horas no vestiário antes de cada partida alisando seu cabelo. E nem por isso, qualquer dos clubes pelos quais ele atuou foi acusado de racismo.

Por último, fico com o depoimento dado pelo Cristóvão Borges em recente participação no programa Bem Amigos. No Fluminense, nunca sentiu qualquer preconceito com relação à cor da sua pele. Já no Vasco, ainda que veladamente, sentiu.

O Vasco aliás se vangloria de seu pioneirismo com relação a inclusão dos negros no futebol. Um pioneirismo falso. Jogadores negros e mulatos atuaram por clubes como Bangu, Andaraí e o próprio Fluminense muito antes do Vasco sequer ter um time de futebol.

E a torcida do Fluminense desde aquela época já transformava limão em limonada. Transformou ofensa em um dos símbolos mais bonitos do futebol brasileiro.

Texto publicado originalmente na minha página pessoal no Facebook em 13 de Maio de 2014.

A foto que ilustra o post é do jogo Botafogo 3 x 0 Fluminense, dia 26/6/1910, pelo campeonato carioca de segundos quadros. Pertence ao acervo do Fluminense FC.
Em pé: Ernesto Paranhos, Coimbra e Dale
Agachados: Raul Brandão, Harold Cox e Alfredo Guimarães
Sentados: Renato Miranda, Alfredo Rocha, Humberto, Gustavo de Carvalho e Loup
Alfredo Guimarães chegou a jogar também pelo primeiro quadro.

O Recorde do Miguel

Ao entrar em campo na última quarta-feira contra o Cruzeiro no Mineirão o garoto Miguel Silveira dos Santos, nascido no dia 26 de Março de 2003, tornou-se o jogador mais jovem a vestir a camisa tricolor na era profissional (a partir de 1933).

O recorde pertencia desde 1965 ao atacante Walmir que jogou pelo Fluminense apenas até o ano seguinte e depois passou por times como Campo Grande, Nacional de Manaus e Santa Cruz.

Veja abaixo o ranking dos 10 mais jovens da história do Fluminense:

Top10-Fluminense

 

A lista conta com nomes badalados de Xerém como o atacante Wellington Silva, os meias Carlos Alberto e Robert, e o lateral direito Wallace.

Conta ainda com Evaldo, excelente atacante que fez dupla com Tostão no timaço do Cruzeiro campeão brasileiro de 1966.

Há também nomes pouco lembrados ou mesmo pouco conhecidos como o ponta-esquerda Oswaldo, um bom reserva nos anos 50, Beto, também ponta-esquerda, com pouquíssimos jogos entre os profissionais nos anos 60, e Célio, volante revelado em Xerém que estreou na mesma partida que Carlos Alberto mas não teve muitas oportunidades.

Com 17 anos e 115 dias em sua estreia, João Pedro passou perto de entrar na lista dos 10 mais jovens.

Vale esclarecer que esse ranking se refere apenas ao período profissional. Nos primórdios do período amador o futebol era disputado predominantemente por jovens estudantes. Era comum nessa época jogadores estrearem com 16 ou até mesmo 15 anos.

Foto: LUCAS MERÇON/FLUMINENSE FC

O Encosto

Em 2020 o Fluminense estará completando oito anos sem conquistar o título estadual. Já quase repete o sofrido jejum de 1985 a 1995, encerrado com o histórico Fla-Flu do gol de barriga. O Campeonato Carioca é uma competição que o Fluminense tem tido enorme dificuldade em vencer desde que a dinastia Caixa D’água/Rubinho assumiu o comando da FERJ.

Alguém pode argumentar que o Fluminense não ganha o título desde 2012 porque tem montado equipes fracas, especialmente após a saída da Unimed. Não deixa de ser um pouco verdade. Também não deixa de ser verdade que não é necessário ter um timaço para conquistar esse campeonato decadente. Vários times sofríveis levantaram a taça nesse período de seca do Flu. Teve até time que ganhou o carioca e no mesmo ano foi rebaixado no brasileiro.

Podemos até admitir a hipótese de que o Fluminense não tem sucesso no Campeonato Carioca exclusivamente por não ter times fortes. Mas e quando tinha? Vamos analisar o período entre o ano 2000, que marca a volta do Fluminense à série A do Campeonato Brasileiro, e 2014, o último da Unimed no clube. Uma amostra razoável de 15 temporadas nas quais o Fluminense reconhecidamente quase sempre teve boas equipes.

Se somarmos todos os pontos conquistados no Campeonato Brasileiro ao longo desse período, o Fluminense é disparado o time de melhor desempenho entre os cariocas com 845. O Flamengo vem bem abaixo com 763, ou seja, 82 pontos a menos. Botafogo e Vasco nem aparecem no retrovisor. Estão quase 200 pontos atrás. Veja a tabela abaixo.

Pontuação em Campeonatos Brasileiros de 2000 a 2014:

PG J V E D GP GC
Fluminense 845 560 232 149 179 832 745
Flamengo 763 552 201 164 187 730 719
Botafogo 667 506 175 142 189 684 692
Vasco 663 484 175 138 171 710 705

Nesse período o Fluminense conquistou dois brasileiros, Vasco e Flamengo um, e o Botafogo nenhum.

Entre 2000 e 2014, nos clássicos contra os times grandes de outros estados, o Fluminense teve um aproveitamento de 47,22% e um saldo positivo de 8 vitórias.

Desempenho do Fluminense em clássicos interestaduais de 2000 a 2014:

Adversário J V E D GP GC %
Atlético-MG 28 7 11 10 36 41 38,10%
Corinthians 35 13 11 11 40 35 47,62%
Cruzeiro 29 14 6 9 50 44 55,17%
Grêmio 37 13 11 13 48 52 45,05%
Internacional 29 12 9 8 45 31 51,72%
Palmeiras 28 11 4 13 40 43 44,05%
Santos 31 13 7 11 42 49 49,46%
São Paulo 35 14 7 14 50 49 46,67%
TOTAL 252 97 66 89 351 344 47,22%

Agora passemos ao Campeonato Carioca durante o mesmo período. Dentro dos domínios da FERJ as coisas se invertem completamente. De melhor pontuador entre os quatro grandes o Fluminense passa para a última colocação.

Pontuação em Campeonatos Cariocas de 2000 a 2014:

PG J V E D GP GC
Flamengo 511 264 151 58 55 514 319
Botafogo 495 257 144 63 50 523 311
Vasco 490 256 148 52 56 537 281
Fluminense 463 256 135 58 63 516 311

Nos clássicos cariocas o desempenho despenca em relação aos clássicos nacionais, passando de 47,22% para 37,72% de aproveitamento, com um saldo negativo de 20 derrotas.

Desempenho do Fluminense em clássicos estaduais de 2000 a 2014:

Adversário J V E D GP GC %
Botafogo 53 16 20 17 66 65 42,77%
Flamengo 56 17 17 22 79 80 40,48%
Vasco 58 9 26 23 69 89 30,46%
TOTAL 167 42 63 62 214 234 37,72%

Se contra os grandes de SP, RS e MG, em tese até mais difíceis que os grandes do Rio, o Fluminense leva vantagem em vários confrontos, dentro do Rio simplesmente perde todos.

Foi ainda durante o período em análise, um dos melhores da história tricolor, que o Flamengo nos ultrapassou em número de títulos estaduais.

Qual seria a explicação para uma discrepância tão gritante entre os números do Fluminense no estadual e no brasileiro? Reparem que entre os outros clubes isso não ocorre. Flamengo, depois Botafogo, depois Vasco. Essa sequência se repete tanto no Carioca quanto no Brasileiro. O que muda é a posição do Fluminense. A frente de todos eles no Brasileiro e abaixo de todos no Carioca.

Na falta de uma explicação publicável, vamos fingir que é uma mera questão de azar. O Fluminense dá azar em campeonatos organizados pelo Caixa D’água ou pelo Rubinho. Vejamos os últimos Campeonatos Cariocas:

Em 2018 demos o AZAR do árbitro Rodrigo Nunes de Sá inverter um lateral na semifinal entre Fluminense e Vasco que acabou resultando no gol da eliminação tricolor aos 49 minutos do segundo tempo.

Em 2017 demos o AZAR do árbitro Wagner do Nascimento Magalhães não marcar falta de Réver em Henrique no lance do gol do Flamengo que evitou que a decisão do título fosse para a disputa de pênaltis. Uma disputa que teria de um lado o goleiro Diego Cavalieri, que eu eu nunca vi deixar de pegar pelo menos uma das cinco cobranças, e do outro Muralha, que nunca defendeu um pênalti na vida.

Em 2016 demos o AZAR do árbitro João Batista de Arruda anular um gol legítimo de Renato Chaves na decisão da Taça Guanabara contra o Vasco.

Em 2015 demos o AZAR da FERJ e o TJD excluírem Fred do campeonato, diminuindo consideravelmente as chances do Fluminense superar o Botafogo em uma semifinal equilibradíssima (sem o Fred) que acabou decidida nos pênaltis.

Se voltarmos mais no tempo a lista de AZARES do Fluminense em competições da FERJ é interminável. O Tricolor tem irrisórios quatro títulos nos últimos 34 campeonatos disputados. Um deles ninguém quis muito.

É muito azar. Como sou supersticioso, penso que o Fluminense já devia ter se livrado desse “encosto” chamado FERJ há muitos anos.

Vai pagar?

Tem gente que diz que o Eurico Miranda botou o Fluminense na série A em 2000. Não sei se é verdade.

O que é verdade, fato, é que o Fluminense botou o Flamengo na série A do Campeonato Carioca em 1912. Nunca cobrou, nunca jogou na cara, nunca mandou pagar a série B. Só botou.

Não seria estranho se o Fluminense, naquela oportunidade, tivesse tentado fazer algum tipo de retaliação ao Flamengo, afinal era justamente o clube que recebera os jogadores tricolores que, liderados por Alberto Borgerth, haviam abandonado as Laranjeiras após ganhar o título de 1911. Mas ao contrário, o Fluminense botou o seu futuro maior rival na primeira divisão e com um cata-cata de jogadores do segundo quadro venceu o primeiro Fla-Flu.

O trecho do livro “Histórias do Flamengo” reproduzido abaixo relata os acontecimentos da época. O autor do livro é Mário Filho. Rubro-negro, insuspeito, reconhecidamente um dos maiores nomes da história do jornalismo esportivo brasileiro.

Histórias1

Historias2

Mário Polo, citado no texto, foi um grande dirigente do Fluminense na primeira metade do século XX, chegando inclusive a ser presidente do clube.

Muita gente imagina que o rubro-negro começou a disputar o campeonato diretamente na primeira divisão porque na época não existia outra. Não é verdade. A segunda divisão já existia e poucos anos depois seria criada também a terceira. O Vasco por exemplo, começou a disputar futebol em 1916 e só chegou à primeira divisão em 1923. O Flamengo não precisou passar por isso.

Por mais que o tempo passe a história não se apaga.

Faltam 7 minutos

O Fluminense entra em campo hoje contra o Internacional em Porto Alegre para afastar de vez qualquer possibilidade de rebaixamento e também para evitar um incomodo recorde: se não marcar um gol até os 6 minutos de jogo o time chegará ao maior jejum de gols da história do clube.

Atualmente a pior marca é de 588 minutos e aconteceu no ano de 1985, em condições bem mais glamourosas que a “seca” atual. Começou em uma vitória sobre o Real Madrid, passou por uma Taça Libertadores e terminou no início da campanha de um tricampeonato.

No dia 11 de agosto daquele ano o Fluminense enfrentou o Real Madrid no estádio Riazor, em La Coruña, decidindo o terceiro lugar do torneio Teresa Herrera. Na véspera o Flu havia sido derrotado pelo Porto, perdendo a chance de conquistar o bicampeonato do torneio.

Se o Real Madrid não era a força avassaladora dos dias atuais, contava com jogadores de fama internacional como Butragueño, Hugo Sanchez e Valdano (campeão mundial no ano seguinte). Ou ainda o meia Michel, aquele que marcou um gol legítimo contra o Brasil na Copa do México, não validado pelo árbitro.

O Fluminense abriu a contagem através de Washington logo aos 12 minutos de jogo e ampliou com um gol de Assis aos 23. Não marcou nos 67 minutos restantes, se dando ao luxo inclusive de perder um pênalti, cobrado por Romerito no segundo tempo. Os 2×0 ficaram de bom tamanho.

Depois disso o ataque tricolor passou em branco nos quatro compromissos que faltavam pela Taça Libertadores da América e na estreia do Campeonato Carioca, contra o Vasco.

A agonia só foi encerrada na segunda rodada da competição, no pequeno estádio da Rua Teixeira de Castro, quando Renê, de cabeça, fez o gol da vitória sobre o Bonsucesso aos 26 minutos do segundo tempo. A partir dali o time arrancou para a conquista histórica do tricampeonato estadual.

Renê marca de cabeça contra o Bonsucesso e encerra o maior jejum de gols da história do Fluminense. Recorde negativo pode ser batido hoje (foto: Jornal dos Sports)

O jejum atual já dura intermináveis 582 minutos. Com mais sete será o maior de toda a história do clube.

O jejum de 1985:
11/08/1985 – Fluminense 2 x 0 Real Madrid-ESP – Teresa Herrera (67 minutos)
15/08/1985 – Fluminense 0 x 0 Vasco-RJ – Libertadores (90 minutos)
20/08/1985 – Ferrocarril Oeste-ARG 1 x 0 Fluminense – Libertadores (90 minutos)
23/08/1985 – Argentinos Juniors-ARG 1 x 0 Fluminense – Libertadores (90 minutos)
27/08/1985 – Fluminense 0 x 0 Ferrocarril Oeste-ARG (Libertadores) 90 minutos
01/09/1985 – Fluminense 0 x 0 Vasco-RJ – Carioca (90 minutos)
04/09/1985 – Bonsucesso-RJ 0 x 1 Fluminense – Carioca (71 minutos)
Total: 588 minutos

O Jejum de 2018:
31/10/2018 – Nacional-URU 0 x 1 Fluminense – Sul-Americana (42 minutos)
03/11/2018 – Vasco-RJ 1 x 0 Fluminense – Brasileiro (90 minutos)
07/11/2018 – Atlético-PR 2 x 0 Fluminense – Sul-Americana (90 minutos)
11/11/2018 – Fluminense 0 x 0 Sport-PE- Brasileiro (90 minutos)
14/11/2018 – Palmeiras-SP 3 x 0 Fluminense – Brasileiro (90 minutos)
19/11/2018 – Fluminense 0 x 0 Ceará-CE – Brasileiro (90 minutos)
22/11/2018 – Bahia 2 x 0 Fluminense – Brasileiro (90 minutos)
Total: 582 minutos

A marca de Pedro

Mesmo com o Fluminense fora da decisão o jovem atacante Pedro não foi alcançado pelos demais concorrentes e confirmou ontem o posto de artilheiro máximo do Campeonato Carioca de 2018. É a 23ª vez que um jogador do Fluminense alcança o topo da artilharia na história da competição.

Um dado torna o feito de Pedro bastante relevante: tendo exatos 20 anos e 282 dias de vida na data do último jogo do Fluminense no campeonato, ele é o mais jovem artilheiro tricolor na era profissional (a partir de 1933). É superado apenas pelos amadores James Calvert em 1911 e Bartholomeu em 1914. Ambos também com 20 anos, mas alguns dias a menos.

Cabe ressaltar que nos primeiros anos do amadorismo o futebol era basicamente disputado por jogadores muito jovens, sendo bastante comum a presença de adolescentes de 16, 17 anos, cenário bem diferente do futebol profissional.

Por outro lado é necessário fazer também as devidas ressalvas sobre a baixa qualidade do Campeonato Carioca nos últimos anos, em contraste com a grandeza que já teve em outros tempos, o que de certa forma facilita a vida dos jogadores atuais. De qualquer forma, é uma marca que merece registro.

Mais jovens artilheiros do Campeonato Carioca pelo Fluminense na era profissional 1933-2018 (*):

ranking

(*) Sempre tomando por base a idade do jogador no dia do último jogo do Fluminense no campeonato.

A título de curiosidade o mais velho artilheiro tricolor foi o argentino Doval, no campeonato de 1976. Quando mandou a bola para o fundo das redes do Vasco aos 13 minutos do segundo tempo da prorrogação do jogo decisivo, se isolando na artilharia do campeonato que até então dividia com seu companheiro de ataque Gil, e garantindo o título para o Fluminense, Doval tinha 32 anos e 273 dias.

Crédito da foto: Lucas Merçon / Fluminense F.C.

Top 10 – Maiores artilheiros do Fluminense no século XXI

Artilheiros-Fluminense-Sec21

Com o gol marcado ontem na decisão da Taça Rio Marcos Júnior ultrapassou Henrique Dourado (34 gols) e entrou no Top 10.

Fred lidera o ranking com quase três vezes mais gols que o segundo colocado. A liderança por média de gols no entanto é de Romário, com 0,62 por jogo.

Magno Alves tem um total de 124 gols pelo Fluminense mas neste ranking estão contabilizados apenas os que foram marcados a partir de 1° de Janeiro de 2001.

Top 10 – Zagueiros artilheiros

Ranking dos zagueiros que mais marcaram gols pelo Fluminense:

zagueiros-artilheiros-fluminense

(*) O polivalente Silveira fez a maior parte dos seus 317 jogos pelo Fluminense como zagueiro, mas atuou também diversas vezes como volante, e algumas até como atacante. Estaria entre os 10 primeiros mesmo que se considerasse apenas os gols que fez atuando como zagueiro mas é justo ressaltar que boa parte dos seus 29 gols foram marcados atuando em outras posições.

Outro ponto que merece ser mencionado é o número de gols de pênalti. Pinheiro fez 30 dos seus 50 gols cobrando penalidades máximas. Chico Netto, zagueiro tricampeão em 1917-18-19, fez nove dos seus 12. Silveira fez seis de pênalti, Edinho quatro, Thiago Silva e Ricardo Gomes, dois cada um. Gum, Leandro Euzébio, César, Rangel e Antônio Carlos não fizeram nenhum gol de pênalti.

Estatísticas do Fluminense no Campeonato Carioca – Parte 2

Dando sequência às estatísticas e recordes do Fluminense no Campeonato Carioca, cuja primeira parte foi publicada aqui.

Jogadores com maior média de gols pelo Fluminense (*):
1. Rongo – 1,72 – 31G/18J (1940-1941)
2. Edwin Cox – 1,52 – 38G/25J (1906-1910)
3. Nilo – 1,51 – 56G/37J (1924-1926)
4. Horácio Costa Santos – 1,25 – 20G/16J (1906-1909)
4. Raul – 1,25 – 15G/12J (1936)
6. Welfare – 1,00 – 124G/124J (1913-1923)
7. Fogueira – 1,00 – 18G/18J (1938-1939)
8. Hércules – 0,97 – 96G/99J (1935-1942)
9. Ademir Menezes – 0,95 – 40G/42J (1946-1947)
10. Ambrois – 0,94 – 17G/18J (1954)
(*) Jogadores com um mínimo de 10 gols marcados

Rongo

O goleador argentino Rongo, dono da melhor média de gols pelo Fluminense no Campeonato Carioca

Goleiros com menor média de gols sofridos pelo Fluminense (**):
1. Ricardo Cruz – 0,60 – 27G/45J (1986-1988, 1994)
2. Renato – 0,70 – 44G/63J (1976-1979)
3. Wendell – 0,75 – 44G/59J (1977-1979)
4. Jorge Vitório – 0,77 – 36G/47J (1966-1973)
5. Félix – 0,79 – 116G/147J (1968-1977)
6. Paulo Victor – 0,84 – 129G/154J (1981-1988)
7. Ricardo Pinto – 0,89 – 81G/91J (1987-1991, 1993)
8. Jéferson – 0,92 – 23G/25J (1991-1992)
9. Márcio – 0,95 – 21G/22J (1963-1968)
10. Paulo Goulart – 0,96 – 47G/49J (1979-1982)
(**) Goleiros com um mínimo de 20 jogos disputados

RicardoCruz

Ricardo Cruz, goleiro com melhor média de gols sofridos

Recorde de minutos sem sofrer gols: Welerson, 759 minutos no campeonato de 1995.
Este é o recorde geral da história do clube, e não apenas o do Campeonato Carioca.

Welerson

Welerson, recordista de minutos sem sofrer gols

Treinadores que mais dirigiram o Fluminense:
1. Zezé Moreira – 199 (1951-1954, 1958-1962, 1973)
2. Ondino Viera – 152 (1938-1942, 1948-1949)
3. Nelsinho – 80 (1980-1981, 1985-1986)
4. Luiz Vinhaes – 77 (1929-1933)
4. Abel Braga – 77 (2005, 2012-2013, 2017-2018) (***)
6. Quincey Taylor – 65 (1913-1914, 1917-1918, 1935)
7. Edinho – 59 (1991, 1993, 1998)
8. Tim – 58 (1964-1966)
9. Carlos Alberto Parreira – 57 (1974, 1975, 1999, 2009)
10. Sylvio Pirillo – 56 (1955-1958)
10. Valdir Espinosa – 56 (1997, 2000-2001, 2004)
(***) até o jogo Fluminense 2 x 1 Volta Redonda no dia 4/3/2018.

ZezeMoreira

Zezé Moreira, o treinador que mais vezes dirigiu o Fluminense

Treinadores campeões:
1906 a 1909 – não havia um treinador mas sim uma comissão denominada “Ground Committee”, responsável pela escalação da equipe.
1911 – Charles Williams
1917 – Quincey Taylor
1918 – Quincey Taylor
1919 – Ramon Platero
1924 – Charles Williams
1936 – Carlos Nascimento e Arthur Azevedo (interinos) / Carlos Carlomagno
1937 – Carlos Carlomagno
1938 – Carlos Nascimento (interino) / Ondino Viera
1940 – Ondino Viera
1941 – Ondino Viera
1946 – Gentil Cardoso
1951 – Zezé Moreira
1959 – Zezé Moreira
1964 – Tim
1969 – Telê Santana
1971 – Zagallo
1973 – Zezé Moreira / Duque
1975 – Paulo Emílio / Carlos Alberto Parreira
1976 – Jair Rosa Pinto / Mário Travaglini
1980 – Nelsinho
1983 – Cláudio Garcia / Luís Carlos Ferreira (interino) / Carbone
1984 – Luiz Henrique / Carlos Alberto Torres
1985 – Nelsinho
1995 – Joel Santana
2002 – Waldemar Lemos / Robertinho
2005 – Abel Braga
2012 – Abel Braga

Maior número de gols marcados pelo Fluminense em um campeonato:
1. 1941 – 106 gols (****)
2. 1946 – 97 gols
3. 1976 – 74 gols
4. 1942 – 72 gols
5. 1979 – 70 gols
6. 1919 – 68 gols
7. 1954 – 67 gols
8. 1937 – 65 gols
8. 1947 – 65 gols
10. 1936 – 64 gols
(****) Nenhum outro time jamais ultrapassou a marca de 100 gols em um Campeonato Carioca

Fluminense-1941

O Fluminense de 1941. Este time além de conquistar o título no lendário Fla-Flu da Lagoa marcou 106 gols no campeonato. Uma marca jamais igualada.

Maior média de gols marcados pelo Fluminense em um campeonato:
1. 1906 – 5,20 – 52G/10J
2. 1909 – 5,00 – 45G/9J (*****)
3. 1908 – 4,89 – 44G/9J (*****)
4. 1935 – 4,20 – 63G/15J
5. 1946 – 4,04 – 97G/24J
6. 1924 – 3,86 – 54G/14J
7. 1941 – 3,79 – 106G/28J
8. 1919 – 3,78 – 68G/18J
9. 1936 – 3,56 – 64G/18J
10. 1911 – 3,50 – 21G/6J
10. 1915 – 3,50 – 42G/12J
10. 1910 – 3,50 – 28G/8J (*****)
(*****) Para o cálculo da média de gols foram desconsiderados os jogos decididos por WO

Menor número de gols sofridos pelo Fluminense em um campeonato:
1. 1911 – 1 gol
2. 1907 – 5 gols
3. 1906 – 6 gols
4. 1909 – 8 gols
5. 1959 – 9 gols
6. 1963 – 10 gols
7. 1908 – 11 gols
8. 1985 – 12 gols
8. 1970 – 12 gols
8. 1922 – 12 gols

Menor média de gols sofridos pelo Fluminense em um campeonato:
1. 1911 – 0,17 – 1G/6J
2. 1959 – 0,41 – 9G/22J
3. 1963 – 0,42 – 10G/24J
4. 1977 – 0,46 – 13G/28J
5. 1987 – 0,48 – 14G/29J
6. 1985 – 0,50 – 12G/24J
7. 1906 – 0,60 – 6G/10J
8. 1962 – 0,63 – 15G/24J
8. 1983 – 0,63 – 15G/24J
10. 1973 – 0,64 – 16G/25J