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Participação de jogadores do Fluminense em Olimpíadas

O zagueiro Nino é o 21º jogador do Fluminense a disputar Jogos Olímpicos, o terceiro a conquistar medalha e será o primeiro a disputar uma final. Abaixo a lista completa.

1952

A primeira participação do futebol brasileiro em Olimpíadas aconteceu nos jogos de Helsinque em 1952. Na época, por ser uma competição estritamente amadora, o Brasil era representado basicamente pelo que hoje seria a seleção sub-20. O Fluminense, então pentacampeão carioca da categoria, teve quatro jogadores entre os que foram aos jogos. Os atacantes Larry e Milton, e os zagueiros Mauro e Bené. Em uma seleção que tinha os goleadores Humberto Tozzi e Vavá, centroavantes do Brasil nas copas de 1954 e 58, coube ao nosso Larry ser o artilheiro do time com quatro gols. O Brasil foi eliminado nas quartas de final pela Alemanha Ocidental após vencer Holanda e Luxemburgo em jogos de mata-mata. A medalha de ouro ficou com a Hungria de Puskas.

1952-Larry

Larry
Larry Pinto de Faria
Atacante
n. 3/11/1932
Nova Friburgo-RJ
3 jogos, 4 gols

1952-Milton

Milton
Milton Pessanha
Ponta-direita
n. 26/11/1932
Campos-RJ
3 jogos

1952-Mauro

Mauro
Mauro Torres Homem Rodrigues
Zagueiro
n. 22/03/1932
Rio de Janeiro-RJ
3 jogos

1952-Bene

Bené
Benedito Rangel de Souza
Zagueiro
n. 22/08/1933
Campos-RJ
não atuou

1960

Nos jogos de Roma a Seleção Brasileira contou com três tricolores: os zagueiros Dari e Rubens, e o lateral Nonô. Nesta edição pela primeira vez as seleções foram divididas em grupos, abandonando-se o sistema de mata-mata. O Brasil venceu a Grâ-Bretanha e Taiwan, mas perdeu para a Itália, dona da casa, a última partida e a única vaga para a fase seguinte.

Dari
Dari Batista
Zagueiro
20/10/1940
Campos-RJ
3 jogos

Nonô
Claudionor Franco
Lateral-esquerdo
n. 13/02/1940
Colatina-ES
3 jogos

Rubens
Rubens Caetano
Zagueiro
n. 19/06/1941
Rio de Janeiro-RJ
2 jogos

1964

A Seleção Olímpica que foi a Tóquio em 1964 tinha quatro jogadores do Fluminense. Valdez e Zé Luiz, que formavam a dupla de zaga titular da seleção e mais os suplentes Tito e Riva. Outros dois atletas tricolores, Íris e Nélio, participaram de toda a fase de preparação mas acabaram cortados da lista final de convocados. O Brasil empatou com o Egito, goleou a Coréia do Sul mas perdeu para a Tchecoslováquia e mais uma vez não conseguiu passar de fase. Na volta dos jogos, Valdez assumiu a titularidade na equipe principal do Fluminense que ganhou o título carioca daquele ano.

Valdez
Valdez Quirino Lemos
Zagueiro
n. 10/02/1943
Maceió-AL
3 jogos

Zé Luiz
José Luiz Pereira
Zagueiro
n. 05/06/1943
Campos-RJ
3 jogos

Tito
Nilton Rosa
Meia
n. 15/03/1943
Rio de Janeiro-RJ
não atuou

Riva
Rivadávio Alves Pereira
Zagueiro
n. 04/05/1944
Cambuci-RJ
não atuou

1972

Para os jogos de Munique o Brasil levou craques do tamanho de Falcão, Roberto Dinamite e Dirceu. Mas a campanha foi decepcionante: nenhuma vitória e último lugar em um grupo que tinha ainda Hungria, Dinamarca e Irã. O Fluminense cedeu para esta seleção o goleiro Nielsen, o zagueiro Abel Braga (nosso querido Abelão), o jovem craque Carlos Alberto Pintinho e o polivalente Rubens Galaxe, que viria a jogar em praticamente todas as posições em sua longa e vitoriosa carreira no Fluminense mas na ocasião dos Jogos Olímpicos formou dupla com Falcão no meio campo. O Fluminense poderia ter tido ainda um quinto convocado, mas o meia Marquinhos acabou ficando de fora da lista final.

Nielsen
Nielsen Elias
Goleiro
n. 19/06/1952
Rio de Janeiro-RJ
3 jogos

Rubens Galaxe
Rubens Márcio Cordeiro Galaxe
Meia
n. 29/04/1952
Campos-RJ
3 jogos

Abel
Abel Carlos da Silva Braga
Zagueiro
n. 01/09/1952
Rio de Janeiro-RJ
2 jogos

Carlos Alberto Pintinho
Carlos Alberto Gomes
Meia
n. 25/06/1954
Rio de Janeiro-RJ
não atuou

1976

Enquanto a Máquina Tricolor de Rivellino e companhia brilhava no Maracanã, dois jovens talentos formados nas Laranjeiras integravam a Seleção que pela primeira vez chegava a uma semifinal olímpica, em Montreal. O zagueiro Edinho, então já titular absoluto da zaga tricolor, e o meia Erivelto, reserva de luxo em uma época que haviam mais craques do que vagas disponíveis no time titular do Fluminense. A partir das semifinais pesou a experiência das seleções da cortina de ferro, praticamente com suas equipes principais. O Brasil perdeu para a Polônia na semifinal e da União Soviética na disputa do bronze. A primeira medalha olímpica só viria oito anos mais tarde nos jogos de Los Angeles.

Edinho
Edino Nazareth Filho
Zagueiro
n. 05/06/1955
Rio de Janeiro-RJ
5 jogos

Erivelto
Erivelto Martins
Meia
n. 10/07/1954
Piraí-RJ
5 jogos, 1 gol

2000

Somente 24 anos depois dos jogos de Montreal o Fluminense voltou a ter um jogador relacionado para a disputa dos Jogos Olímpicos. O meia Roger chegou a Sydney credenciado por grandes atuações no campeonato brasileiro daquele ano. O lateral-direito Flávio participou de amistosos de preparação mas não foi incluido na lista final do técnico Vandrelei Luxemburgo. O Brasil acabou sendo eliminado por Camarões nas quartas de final com um doloroso golden goal na prorrogação.

Roger
Roger Galera Flores
Meia
n. 17/08/1978
Rio de Janeiro-RJ
4 jogos

2008

A grande campanha do Fluminense na Taça Libertadores da América de 2008 levou a dupla Thiago Neves e Thiago Silva aos Jogos Olímpicos de Pequim naquele ano. Thiago Silva ocupou uma das três seletas vagas para jogadores acima dos 23 anos. O Brasil fez boa campanha mas perdeu a semifinal para a Argentina de Lionel Messi, Riquelme, Di Maria, Aguero e Mascherano com um contundente 3×0. Como consolação ficamos com a medalha de bronze vencendo a Bélgica na decisão do 3º lugar. Assim os Thiagos se tornaram os primeiros jogadores do Fluminense a conquistarem uma medalha olímpica de futebol.

Thiago Neves
Thiago Neves Augusto
Meia
27/02/1985
Curitiba-PR
5 jogos, 2 gols

Thiago Silva
Thiago Emiliano da Silva
Zagueiro
22/09/1984
Rio de Janeiro-RJ
2 jogos

2021

Nino
Marcílio Florêncio Mota Filho
Zagueiro
10/04/1997
Recife-PE

A foto que abre este post mostra a Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de 1972 com os tricolores Nielsen, Abel e Rubens Galaxe, além do saudoso roupeiro Ximbica.

Cem Anos de Pó de Arroz

Quase passou em branco. Acabo de receber um e-mail do grande tricolor Alexandre Berwanger me lembrando do fato de que hoje, exatamente hoje, dia 13 de maio de 2014, completam-se 100 anos que o Fluminense virou pó de arroz.

É bem provável que ele esteja certo pois foi no dia 13/5/1914 que o ex-americano Carlos Alberto jogou pelo Fluminense contra seu ex-clube pela primeira vez. E como todo tricolor que se preza sabe bem, partiu de uma provocação da torcida do América chamá-lo de pó de arroz.

Em tempos de bananas atiradas no gramado e homenagens a técnicos negros (para demitir no dia seguinte), é sempre bom relembrar um pouco essa história. Mas relembrar direito, do jeito que realmente foi, e não a releitura histórica promovida por nossos rivais, que tentam com isso, de forma risível, atribuir uma pecha racista ao Fluminense.

Em primeiro lugar é preciso deixar claro que o Fluminense teve jogadores negros antes do Carlos Alberto. Na foto que ilustra este post (de 1910) vemos por exemplo o jogador Alfredo Guimarães, que jogou pelo Fluminense entre 1910 e 1911. Bem antes do Carlos Alberto portanto.

A foto por si só joga por terra qualquer tese de que negros não podiam jogar no Fluminense.

Em segundo lugar, é sabido que o Carlos Alberto já passava pó de arroz antes de ser do Fluminense, quando era jogador do América. Não existe nenhum relato do jogador ter sido obrigado ou constrangido a passar pó de arroz quando ingressou no Fluminense. Ele assim o fez porquê quis e porquê já tinha esse hábito. A própria provocação de “xingar” o jogador de pó de arroz partiu justamente da torcida do América, que sabia de seu hábito e provavelmente estava com dor de cotovelo pelo fato do jogador ter trocado o clube rubro pelo Flu.

Entendo a provocação dos torcedores americanos, essa sim, como uma possível manifestação racista. Algo como: “sabemos que você é negro. Esse pó de arroz no rosto não me engana”. É uma interpretação cabível.

O livro “Negro no futebol brasileiro” relata casos explícitos de racismo no Botafogo, no Flamengo, no América e na Seleção Brasileira. Mas foi justo o Fluminense, por causa de um jogador que tinha por hábito passar pó de arroz no rosto desde antes de jogar no Fluminense, e que por essa razão foi hostilizado por outra torcida que não a do Fluminense, que ficou estigmatizado. Vai entender.

Vale lembrar que Friedenreich, o maior craque brasileiro dos tempos do amadorismo, filho de pai alemão e mãe negra, em atitude semelhante à do Carlos Alberto passava horas no vestiário antes de cada partida alisando seu cabelo. E nem por isso, qualquer dos clubes pelos quais ele atuou foi acusado de racismo.

Por último, fico com o depoimento dado pelo Cristóvão Borges em recente participação no programa Bem Amigos. No Fluminense, nunca sentiu qualquer preconceito com relação à cor da sua pele. Já no Vasco, ainda que veladamente, sentiu.

O Vasco aliás se vangloria de seu pioneirismo com relação a inclusão dos negros no futebol. Um pioneirismo falso. Jogadores negros e mulatos atuaram por clubes como Bangu, Andaraí e o próprio Fluminense muito antes do Vasco sequer ter um time de futebol.

E a torcida do Fluminense desde aquela época já transformava limão em limonada. Transformou ofensa em um dos símbolos mais bonitos do futebol brasileiro.

Texto publicado originalmente na minha página pessoal no Facebook em 13 de Maio de 2014.

A foto que ilustra o post é do jogo Botafogo 3 x 0 Fluminense, dia 26/6/1910, pelo campeonato carioca de segundos quadros. Pertence ao acervo do Fluminense FC.
Em pé: Ernesto Paranhos, Coimbra e Dale
Agachados: Raul Brandão, Harold Cox e Alfredo Guimarães
Sentados: Renato Miranda, Alfredo Rocha, Humberto, Gustavo de Carvalho e Loup
Alfredo Guimarães chegou a jogar também pelo primeiro quadro.